sábado, 21 de março de 2026
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Agentes do Serviço Secreto participam de evento da Polícia Civil de Santa Catarina

Redação Notícias Floripa
Redação Notícias Floripa EM 20 DE MARçO DE 2026, ÀS 21:10
Agentes da polícia com coletes à prova de bala, um com lettering em inglês e outro com
Foto: Reprodução/ND Mais - Agentes do Serviço Secreto participam de evento da Polícia Civil de Santa Catarina

Agentes do serviço secreto dos Estados Unidos participaram de evento da Polícia Civil de Santa Catarina. Especialistas do Serviço Secreto dos Estados Unidos estiveram, na última semana, em treinamentos e debates com delegados e psicólogos da Polícia Civil, em Florianópolis. A programação integrou o Encontro Nacional de Avaliação de Ameaças Comportamentais e Segurança Escolar, realizado no Teatro Pedro Ivo, juntamente com uma série de atividades técnicas na Academia de Polícia Civil (Acadepol). A iniciativa é da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Ministério da Justiça, e reuniu especialistas para discutir estratégias de proteção em ambientes educacionais.

O principal destaque foi a participação do National Threat Assessment Center (NTAC), órgão vinculado ao Serviço Secreto americano. Durante o evento, os representantes apresentaram métodos utilizados nos Estados Unidos para identificar e interromper possíveis trajetórias de violência antes que se concretizem. A abordagem apresentada rompe com modelos tradicionais de segurança baseados apenas em barreiras físicas, como detectores de metal ou vigilância ostensiva. Segundo os especialistas, a prevenção mais eficaz está na análise de comportamento e na identificação precoce de sinais de risco.

De acordo com a pesquisadora Emma Virden, não há um perfil fixo de agressor escolar. A orientação é que autoridades deixem de focar em características pessoais e passem a observar mudanças de comportamento, isolamento social, discursos de violência ou comunicações preocupantes. Esse monitoramento permite intervenções antecipadas, antes mesmo de qualquer planejamento concreto de ataque. Outro ponto central foi a necessidade de atuação integrada. A supervisora de pesquisas Ashley Smolinski destacou que a prevenção depende da formação de equipes multidisciplinares dentro das escolas, reunindo forças de segurança, educadores e profissionais de saúde mental. O objetivo é identificar estudantes em situação de vulnerabilidade e oferecer suporte antes que se tornem uma ameaça.

Segundo a Polícia Civil, a proposta já vem sendo incorporada em Santa Catarina, com iniciativas voltadas à segurança escolar e à atuação preventiva das forças policiais. O encontro serviu para alinhar essas práticas às metodologias internacionais. A programação também contou com a participação do pesquisador Kevin Maass, especialista em ciências sociais com formação em criminologia pela George Mason University. Ele apresentou estudos de caso que indicam que ataques em escolas raramente são impulsivos. Segundo ele, agressores costumam emitir sinais prévios, seja em conversas com colegas, familiares ou em publicações nas redes sociais.

O alerta, segundo Maass, é que esses sinais frequentemente são ignorados ou minimizados como “brincadeiras”. Para os especialistas, fortalecer canais de denúncia e ampliar a confiança da população nas instituições de segurança são medidas essenciais para evitar tragédias.

Além do evento no Teatro Pedro Ivo, a Academia de Polícia Civil recebeu, no dia seguinte, uma visita técnica de representantes do Serviço Secreto que atuam na Embaixada dos Estados Unidos em Brasília. Durante o encontro, os especialistas compartilharam protocolos de atuação e estratégias de inteligência com alunos delegados e psicólogos policiais em formação. A atividade incluiu apresentações práticas sobre monitoramento de ameaças, análise de comportamento e gestão de crises. Os participantes também puderam esclarecer dúvidas sobre a aplicação dos métodos no contexto brasileiro.

Durante a troca de experiências, foram apresentados casos reais de investigações bem-sucedidas nos Estados Unidos, com foco na interrupção de possíveis ataques antes da execução. Os especialistas também ofereceram recomendações sobre a atuação dos delegados na coordenação de ocorrências críticas e o papel dos psicólogos no processo de identificação de riscos. Segundo a Polícia Civil, a expectativa é que o conhecimento compartilhado contribua para aprimorar as políticas de segurança escolar e fortalecer ações preventivas em Santa Catarina.

Redação Notícias Floripa
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