
A qualidade da água na Praia do Meio, no bairro Coqueiros, em Florianópolis, apresentou em 2026 o melhor desempenho dos últimos três anos no monitoramento da balneabilidade.
Dados analisados entre janeiro e o início de março indicam que o ponto de coleta manteve classificação própria para banho durante todo o período, sem registros de contaminação acima dos limites definidos pela legislação ambiental. No entanto, mesmo com os resultados positivos registrados em 2026, o Instituto do Meio Ambiente (IMA) alerta que a melhora pontual não significa, necessariamente, uma recuperação estrutural da qualidade da água que possibilite a entrada de pessoas na água.
Entre 5 de janeiro e 2 de março de 2026, todas as coletas realizadas na Praia do Meio indicaram água própria para banho. As concentrações da bactéria variaram entre 10 e 645 NMP (Número Mais Provável) por 100 mililitros, valores abaixo do limite de 800 estabelecido pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente.
O menor índice foi registrado em 2 de março, com apenas 10 NMP por 100 mililitros. Já o valor mais alto ocorreu em 12 de janeiro, quando o resultado chegou a 645, ainda dentro do limite permitido. Nas semanas seguintes, os dados mostram uma tendência de queda nas concentrações.
Ao comparar os resultados de 2026 com os dois verões anteriores, é possível observar um cenário mais estável neste ano. Em 2025, a maior parte das análises também apontou água própria para banho, mas houve um episódio de contaminação significativa. No dia 18 de fevereiro, a concentração de E. coli chegou a 17.329 por 100 mililitros, muito acima do limite de 2 mil que, segundo a legislação, torna a água automaticamente imprópria.
Já em 2024 também houve um momento de piora na qualidade da água, embora com valores menos extremos. No dia 5 de março, a concentração registrada foi de 581 E. coli por 100 mililitros. Apesar de esse valor individual estar abaixo do limite de 800, o ponto acabou classificado como impróprio porque a avaliação considera o histórico das últimas cinco coletas.
Resultados relativamente altos registrados nas semanas anteriores (como 650 em 20 de fevereiro, 563 em 22 de janeiro e 591 em 2 de janeiro) podem ter feito com que mais de 20% das amostras ultrapassassem o limite permitido no período analisado.
O monitoramento da balneabilidade no Brasil segue critérios estabelecidos pela Resolução Conama nº 274/2000. De acordo com a normativa, um ponto é considerado próprio para banho quando pelo menos 80% das amostras coletadas nas últimas cinco semanas apresentam até 800 E. coli por 100 mililitros de água.
A classificação de água imprópria ocorre em duas situações principais: quando mais de 20% das amostras ultrapassam esse limite ou quando a coleta mais recente apresenta valor superior a 2 mil E. coli por 100 mililitros. Esse sistema funciona como uma espécie de “margem de segurança”, já que considera não apenas o resultado de um único dia, mas o histórico recente do ponto monitorado.
Na prática, para que um local volte a ser classificado como próprio após um período negativo, é necessário que pelo menos quatro das últimas cinco amostras apresentem resultados dentro do limite permitido.
O indicador microbiológico não mede todos os possíveis contaminantes presentes na água. A presença da bactéria E. coli funciona como um sinal indireto de contaminação fecal, já que o microrganismo vive naturalmente no intestino de animais de sangue quente, incluindo humanos.
No entanto, quando o índice está dentro do limite permitido, isso não significa necessariamente que a água esteja livre de outros poluentes, como vírus ou substâncias químicas. Essas análises exigiriam testes mais complexos e demorados, inviáveis para monitoramento semanal em larga escala, como acontece em todo verão.
O acompanhamento da qualidade da água no litoral catarinense é realizado de forma contínua desde 1976 pelo IMA. Atualmente, o programa monitora cerca de 260 pontos de coleta distribuídos ao longo da costa.
Segundo a instituição, as amostras são coletadas geralmente a cerca de um metro de profundidade, em áreas com maior concentração de banhistas. Durante a baixa temporada, entre abril e outubro, a coleta costuma ser feita mensalmente. Já no verão, entre novembro e março, quando o fluxo de turistas aumenta, o monitoramento passa a ser semanal.
Santa Catarina possui aproximadamente 500 quilômetros de litoral e, historicamente, registra índices de balneabilidade acima da média nacional. Em muitos verões, mais de 70% das praias monitoradas apresentam condições consideradas próprias para banho.
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