
Duas pessoas conversando em uma mesa com café e objetos simbólicos, representando diálogo, respeito e a pergunta central da coluna: o que você traz para a mesa?
Conversas francas e respeito mútuo fazem parte do que cada pessoa traz para a mesa em qualquer relação. O que você traz para a mesa? Caro (a) leitor (a),
O que você traz para a mesa? Você já parou para pensar que quase tudo na vida envolve algum tipo de negociação? Nem sempre aquela negociação explícita com proposta e contraproposta. Muitas vezes ela é silenciosa, emocional, até inconsciente.
Mas é algo que acontece o tempo todo é um ajuste fino entre expectativas, limites, desejos e concessões. No mundo dos negócios existe uma pergunta muito comum: “O que você traz para a mesa?” Quando duas empresas negociam uma parceria, ninguém acha estranho falar de entregas, responsabilidades, limites, riscos e contrapartidas. Pelo contrário, quanto mais claro tudo estiver, maiores são as chances de a relação funcionar.
Curiosamente, na vida pessoal fazemos exatamente o oposto. Entramos em relações, amorosas, profissionais, até amizades, muitas vezes carregando expectativas silenciosas, bagagens invisíveis e promessas que nunca foram verbalizadas. Cada um imagina um contrato que o outro nunca assinou. E depois nos surpreendemos quando a conta não fecha.
Talvez porque falar com franqueza sobre o que cada um traz para a mesa ainda soe pouco romântico, como se o amor precisasse nascer de uma espécie de espontaneidade mágica, onde tudo se encaixa naturalmente. Mas a verdade é que todos nós chegamos à mesa com alguma coisa. Alguns chegam à mesa com tempo, outros com experiência. Alguns trazem entusiasmo, outros cautela. Há quem ofereça estabilidade, há quem chegue com intensidade.
Também existem as bagagens, histórias mal resolvidas, medos, filhos, ambições profissionais, limites emocionais, momentos de vida diferentes. Nada disso é um problema. O problema começa quando fingimos que essas coisas não existem.
Nos últimos anos passamos a falar cada vez mais da vida com a linguagem dos negócios, investimento emocional, custo de oportunidade, inteligência emocional, valor agregado. Assim, uma pergunta típica de negociação corporativa começou a aparecer também em debates sobre namoro e casamento.
Em um mundo onde as relações se tornaram mais rápidas e, muitas vezes, descartáveis, talvez conversas francas funcionassem como um filtro muito mais eficiente do que qualquer algoritmo de aplicativo. Porque antes de perguntar se gostamos das mesmas músicas, talvez a pergunta mais importante fosse outra: O que você traz para a mesa? E mais do que isso, o que você não pode trazer neste momento da sua vida?
Porque quando você coloca isso com clareza, algo curioso acontece. A mesa deixa de ser apenas um lugar simbólico de encontro e passa a ser também um espaço de respeito, ao tempo do outro, à história do outro e à própria verdade.
Durante décadas fizemos essa pergunta em reuniões de negócios sem nenhum constrangimento. Mas quando ela aparece nas relações pessoais, muita gente reage como se fosse algo frio ou pouco romântico. Talvez porque ela nos obrigue a encarar algo simples e desconfortável ao mesmo tempo, ninguém chega a uma relação de mãos vazias, mas ninguém chega sem bagagem também.
E a qualidade das relações depende muito de quanto disso conseguimos colocar honestamente sobre a mesa. Será que, quando temos coragem de colocar as cartas sobre a mesa, não aumentamos as chances de que as relações deem certo, da melhor forma possível para todos?
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