
O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, oficializou sua desfiliação do PSD e encerrou de forma direta um processo político que já vinha se desenhando publicamente há dias.
A saída ocorreu após a cúpula estadual da sigla avançar com a proposta de expulsão do prefeito em meio ao racha interno provocado por seu apoio declarado à reeleição do governador Jorginho Mello em 2026. Ao pedir a desfiliação antes da conclusão do processo, Topázio esvaziou o rito partidário e assumiu o controle político da própria narrativa.
Mais do que a ruptura em si, o que chama atenção é a forma como ela foi conduzida. Oriundo da iniciativa privada e com trajetória ainda recente na política partidária, Topázio vem demonstrando solidez em sua atuação pública. Na prefeitura, consolidou um estilo de comunicação baseado em exposição direta de decisões, obras, prioridades e prestação de contas, usando com frequência as redes sociais para falar sem intermediários com a população.
Na política, agiu de maneira semelhante: desde a reeleição em 2024, não escondeu sua boa relação com Jorginho Mello nem o fato de defender que o PSD integrasse esse projeto. Em outras palavras, não houve surpresa, disfarce nem movimento de bastidor travestido de lealdade. Houve clareza.
É justamente por isso que pode receber nenhuma acusação. Topázio não mudou de posição de última hora, nem agiu contra o partido às escondidas. Tornou público seu alinhamento, sustentou a posição e pagou o preço político por isso. Num ambiente partidário em que muitos preferem o jogo duplo, a ambiguidade calculada e a conveniência do silêncio, sua conduta foi linear. Isso não elimina o conflito, mas qualifica a forma como ele se apresentou.
A crise também expõe o momento delicado do PSD catarinense. O partido trabalha para viabilizar a candidatura de João Rodrigues ao governo estadual, e o apoio de Topázio à reeleição de Jorginho atingiu diretamente esse projeto.
A reação da direção estadual deixou evidente que a legenda entrou em fase de depuração interna, com potencial para novos desdobramentos. Nos bastidores, já há relatos de outras possíveis saídas, inclusive de lideranças municipais e parlamentares, o que indica que o episódio pode ser apenas o início de uma movimentação mais ampla.
Na visão deste colunista, o principal da história não é apenas a saída de Topázio do PSD, mas a maneira como ele atravessou o processo: com agilidade, objetividade e transparência. Em vez de esperar ser expulso, tomou a iniciativa. Em vez de negar o óbvio, assumiu sua posição. Em vez de terceirizar a crise, a enfrentou. Na política brasileira, isso não é trivial.
Agora, o destino partidário do prefeito permanece em aberto. Há especulações sobre múltiplos caminhos e ofertas, inclusive conversas anteriores com outras siglas, mas a definição deve obedecer ao cálculo de 2026 e ao espaço que melhor acomode seu projeto político. Seja qual for a escolha, Topázio sai deste episódio com um ativo relevante: a imagem de quem não escondeu o jogo.
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