No Caso Orelha, o porteiro citado na investigação sobre a morte do cão Orelha declarou à Polícia Civil (PC) que um dos adolescentes envolvidos afirmou que “não daria nada” por ser menor de idade. A fala teria ocorrido após ameaças durante um desentendimento no condomínio onde ele trabalhava, na Praia Brava, em Florianópolis.
O relato consta em um dos inquéritos do caso, com registro de acesso na sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026. O depoimento também menciona xingamentos direcionados ao funcionário, incluindo “assalariado”.
O porteiro disse que passou a ser hostilizado desde 27 de dezembro de 2025 por um grupo de 10 a 15 jovens que frequentava a região da Praia Brava. No depoimento, ele afirmou que os adolescentes tentavam entrar no condomínio fora do horário permitido e carregando bebidas alcoólicas.
Segundo o relato, houve danos ao patrimônio no condomínio, com quebra de vidros e lixeiras. Ainda no dia 27 de dezembro, o funcionário disse que foi chamado de “porteiro de merda” e “assalariado”, e que a discussão na portaria do condomínio se intensificou com novas provocações.
Em 12 de janeiro de 2026, na presença de um morador, o porteiro afirmou ter sido xingado por um adolescente que não aparece na ocorrência de dezembro. Esse jovem estava acompanhado da mãe e, conforme os depoimentos, seria o indiciado pela agressão ao cão Orelha.
Cerca de vinte minutos depois, três familiares teriam descido à portaria do condomínio, segundo o depoimento do morador. A discussão na portaria condomínio foi presenciada pelo morador e, depois, por um zelador; imagens de câmeras de segurança registraram a cena.
O que este artigo aborda:
- Coação no condomínio: frases atribuídas e suspeita de arma sem confirmação
- Versões divergentes, depoimentos de funcionários e nota da defesa
Coação no condomínio: frases atribuídas e suspeita de arma sem confirmação
O porteiro relatou que um dos homens o segurou pelo ombro “com força”, em atitude intimidatória; o morador declarou que o pai do adolescente chegou a “apertar e puxar” o funcionário durante a abordagem. Nos depoimentos, aparece a descrição de coação no condomínio com xingamentos e ameaças verbais direcionadas ao porteiro e ao morador.
As falas atribuídas incluem “tu sabe com quem tu tá falando?” e “se eu quiser, eu te fodo”, além de ameaça de “quebrar” o morador quando ele tentou intervir. Ambos relataram “um volume na região da cintura”, interpretado como suspeita de arma na cintura, mas a existência de arma não foi confirmada.
De acordo com a delegada da Delegacia de Proteção Animal, o volume na cintura levantou a hipótese de que o homem estivesse armado. Ainda assim, a diligência de busca e apreensão sem pistola na residência do investigado não localizou nenhuma arma de fogo.
Na apuração paralela, familiares são investigados por coação no condomínio pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). O órgão afirmou que a conduta analisada não se enquadra como crime ambiental e foi redistribuída para a promotoria criminal, como possível crime comum, dentro do caso Orelha inquérito Polícia Civil.
Versões divergentes, depoimentos de funcionários e nota da defesa
Os familiares investigados apresentaram versão diferente, dizendo que a confusão teria sido provocada pelo próprio porteiro. Eles alegaram que ele teria retido os jovens, tirado fotos sem consentimento e os chamado de “babacas”, afirmando que foram à portaria apenas para entender o que ocorria e esclarecer a informação de que o adolescente estaria “jurado”.
Outros funcionários do condomínio relataram o episódio: o zelador disse ter sido acordado por “gritos e ameaças”, afirmou ter visto um volume na cintura de um dos homens, que “poderia ser uma arma”, e mencionou ter ouvido referência à condição de policial. O vigilante de ronda confirmou a discussão na portaria condomínio, disse que um dos homens aparentava estar sob efeito de álcool e declarou não ter visto arma nem ouvido ameaças diretas.
Em nota da defesa do porteiro, divulgada em 29 de janeiro, foi informado que ele “jamais” filmou o ocorrido e que não possui vídeos; a defesa afirmou ainda que o funcionário não filmou e não presenciou agressão contra o cão Orelha. Segundo a nota, ele havia relatado anteriormente “arruaças, algazarras e confusões” envolvendo adolescentes na região.