O comportamento dos motociclistas é um desafio para os condutores dos veículos pesados. O cenário ultrapassou o limite do risco aceitável. Na Via Expressa e na BR-101, hoje engolidas pelo urbanismo, a cultura do imediatismo sobre duas rodas dita o tráfego em horários de pico.
O que deveria ser recurso excepcional para agilidade transformou-se em “pista exclusiva” de alta velocidade, onde a obrigação de zelar pela segurança parece recair apenas sobre os veículos maiores. A inversão é nítida: motoristas de carros, ônibus e caminhões são coagidos a “abrir alas” sob pena de retaliações ou colisões iminentes.
Não se trata de demonizar o modal, essencial para a logística e agilidade, mas de confrontar a inconsequência. O corredor não é um direito absoluto; é um espaço de vulnerabilidade que exige prudência, e não a pilotagem agressiva que ignora pontos cegos e distâncias de frenagem.
A civilidade no trânsito da Capital não pode ser atropelada pela pressa. Sem fiscalização rigorosa e uma mudança de postura dos condutores, as nossas rodovias continuarão sendo cenários de tragédias – evitáveis – em nome de poucos minutos ganhos no cronômetro.

