
Laboratório LabSim da UFSC terá corpos congelados para simular cirurgias realistas. Treinar cirurgias complexas em corpos humanos congelados pode parecer cena de filme, mas já é realidade na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). A universidade inaugurou o LabSim, laboratório que utiliza a técnica Fresh Frozen Cadaver para preservar corpos com características muito próximas às de um organismo vivo.
O método permite simular procedimentos médicos com alto realismo e deve ampliar o treinamento e o aperfeiçoamento de profissionais da saúde. No espaço, será possível treinar cirurgias e procedimentos delicados, como intervenções vasculares, ortopédicas e neurológicas, como por exemplo um transplante de pulmão.
Técnica permite simulação de cirurgias complexas. Thiago Medeiros Rocha, responsável por trazer a técnica para a UFSC, conta que a técnica de conservação dos cadáveres utilizada pela UFSC faz com que o corpo permaneça praticamente idêntico a um organismo com vida, faltando apenas a pulsação cardíaca, que pode ser simulada com ventilação mecânica. Até mesmo o sangue humano pode ser simulado no laboratório, favorecendo uma prática realista.
Segundo Thiago, como a pele e as articulações ficam mantidas tal qual a de um corpo vivo, cirurgias ortopédicas e também procedimentos estéticos podem ser alvo de práticas simuladas. Cirurgias complexas, como transplante de pulmão, também já foram alvo dessa técnica. A UFMG, por exemplo, treinou uma equipe do Hospital das Clínicas de Belo Horizonte, permitindo que a instituição retomasse a realização de transplantes de pulmão.
Nas técnicas tradicionais dos laboratórios de anatomia, formol e glicerina são os compostos utilizados na conservação. Já no Fresh Frozen Cadaver, compostos químicos são diferentes, assim como o tipo de conservação, em ambiente de temperaturas baixas, com câmaras frias a -20 °C.
Na preparação dos corpos para a técnica é aplicada uma substância que permite que o cadáver mantenha a mobilidade articular mesmo em temperaturas baixíssimas. Já para preservar o corpo durante um curso, a técnica consiste em enrolar as partes que não estão sendo operadas em mantas frias, expondo apenas a área de interesse cirúrgico.
O LabSim tem a capacidade de atender a um público vasto, tanto da área das ciências biológicas, como da saúde. Além de servir às atividades de ensino e pesquisa, seu foco estará na formação de profissionais da área. “Também há uma procura crescente de profissionais da odontologia, biomedicina e estética, que buscam segurança para evitar deformações faciais em procedimentos como aplicação de ácido hialurônico que podem ser simuladas”, explica Thiago.
O professor Rui Prediger, diretor do CCB, destaca o pioneirismo da UFSC que vai beneficiar a formação profissional. “Será um laboratório de referência para oferta desses cursos e também é uma importante forma de aumentar a captação de recursos”, comenta.
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