domingo, 15 de março de 2026
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Laboratório LabSim da UFSC Inova com Cirurgias em Corpos Congelados

Redação Notícias Floripa
Redação Notícias Floripa EM 15 DE MARçO DE 2026, ÀS 07:59
Grupo de pessoas em um laboratório realizando práticas cirúrgicas em corpos simulados cobertos com lençóis.
Foto: Gustavo Diehl/Divulgação UFSC/ND Mais - Laboratório LabSim da UFSC Inova com Cirurgias em Corpos Congelados

Laboratório LabSim da UFSC terá corpos congelados para simular cirurgias realistas. Treinar cirurgias complexas em corpos humanos congelados pode parecer cena de filme, mas já é realidade na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). A universidade inaugurou o LabSim, laboratório que utiliza a técnica Fresh Frozen Cadaver para preservar corpos com características muito próximas às de um organismo vivo.

O método permite simular procedimentos médicos com alto realismo e deve ampliar o treinamento e o aperfeiçoamento de profissionais da saúde. No espaço, será possível treinar cirurgias e procedimentos delicados, como intervenções vasculares, ortopédicas e neurológicas, como por exemplo um transplante de pulmão.

Técnica permite simulação de cirurgias complexas. Thiago Medeiros Rocha, responsável por trazer a técnica para a UFSC, conta que a técnica de conservação dos cadáveres utilizada pela UFSC faz com que o corpo permaneça praticamente idêntico a um organismo com vida, faltando apenas a pulsação cardíaca, que pode ser simulada com ventilação mecânica. Até mesmo o sangue humano pode ser simulado no laboratório, favorecendo uma prática realista.

Segundo Thiago, como a pele e as articulações ficam mantidas tal qual a de um corpo vivo, cirurgias ortopédicas e também procedimentos estéticos podem ser alvo de práticas simuladas. Cirurgias complexas, como transplante de pulmão, também já foram alvo dessa técnica. A UFMG, por exemplo, treinou uma equipe do Hospital das Clínicas de Belo Horizonte, permitindo que a instituição retomasse a realização de transplantes de pulmão.

Nas técnicas tradicionais dos laboratórios de anatomia, formol e glicerina são os compostos utilizados na conservação. Já no Fresh Frozen Cadaver, compostos químicos são diferentes, assim como o tipo de conservação, em ambiente de temperaturas baixas, com câmaras frias a -20 °C.

Na preparação dos corpos para a técnica é aplicada uma substância que permite que o cadáver mantenha a mobilidade articular mesmo em temperaturas baixíssimas. Já para preservar o corpo durante um curso, a técnica consiste em enrolar as partes que não estão sendo operadas em mantas frias, expondo apenas a área de interesse cirúrgico.

O LabSim tem a capacidade de atender a um público vasto, tanto da área das ciências biológicas, como da saúde. Além de servir às atividades de ensino e pesquisa, seu foco estará na formação de profissionais da área. “Também há uma procura crescente de profissionais da odontologia, biomedicina e estética, que buscam segurança para evitar deformações faciais em procedimentos como aplicação de ácido hialurônico que podem ser simuladas”, explica Thiago.

O professor Rui Prediger, diretor do CCB, destaca o pioneirismo da UFSC que vai beneficiar a formação profissional. “Será um laboratório de referência para oferta desses cursos e também é uma importante forma de aumentar a captação de recursos”, comenta.

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