
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) elaborou um levantamento sobre o perfil das pessoas em situação de rua atendidas nos principais municípios do Estado com base nos dados do Cadastro Único (CadÚnico) do Governo Federal de 2025. Na Grande Florianópolis, a maioria desse público é homem, com idade entre 30 a 49 anos.
Nos municípios de Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu foram contabilizadas 4,5 mil pessoas, sendo 3,6 mil somente na capital. Em 87,33% dos casos, se tratam de homens. A faixa entre 30 e 49 anos concentra mais da metade dos casos, enquanto jovens de 20 a 29 anos representam quase 20%, e idosos acima de 60 anos somam pouco mais de 6%.
Os brasileiros representam a maioria das pessoas em situação de rua na Grande Florianópolis (95), porém há a presença de estrangeiros, principalmente venezuelanos e argentinos. O levantamento mostra ainda que 83,3% nasceram em outro município, o que mostra fluxo migratório interno. Apenas 9% são naturais de uma das quatro cidades da região metropolitana.
Já em relação à raça/cor, a maior parte são pessoas brancas (58,16%), seguidas por pardas (28,52%) e pretas (12,44%). O nível de escolaridade, por sua vez, indica que 94,36% sabem ler e escrever e quase todos já frequentaram a escola. Porém, a maioria possui baixa escolarização formal, o que dificulta a inserção no mercado de trabalho.
O desemprego foi o principal fator que levou essas pessoas à rua, representando 52% dos casos. Em seguida aparecem problemas familiares (32%), alcoolismo e drogas (20%) e perda de moradia (19%). Em muitos casos, mais de um motivo se aplica, em um cenário de vulnerabilidade extrema.
Metade estava na rua há até seis meses no momento da última atualização cadastral, mas cerca de 35% vivem nessa condição há mais de um ano, e 12% há mais de cinco anos, o que caracteriza situação crônica.
O levantamento indicou ainda que mais da metade da população em situação de rua na Grande Florianópolis dorme diretamente na rua (56,62%), enquanto 24,6% utilizam albergues. Mais de 55% relatam ter contato raro ou inexistente com parentes.
Ainda que parte desse público já tenha sido atendida por serviços públicos ou instituições governamentais e não governamentais, o levantamento destaca o baixo acesso a equipamentos especializados. Também destaca a ausência de serviços 24 horas do SUS para atender pessoas com dependência de álcool e drogas e insuficiência de equipes de consultório na rua em Florianópolis.
Em São José, Biguaçu e Palhoça, foi verificada a ausência de centros de saúde especializados em atendimento psicossocial, além da falta de comitê intersetorial para acompanhamento da política para a população em situação de rua.
VEJA O RAIO-X DA POPULAÇÃO DE RUA EM FLORIANÓPOLIS
RAÇA/COR
* Branca: 58,16%
* Parda: 28,52%
* Preta: 12,44%
* Indígena: 0,54%
* Amarela: 0,34%
SEXO
* Masculino: 87,33%
* Feminino: 12,67%
PESSOA COM DEFICIÊNCIA
* Possuem deficiência: 14,53%
* Não possuem: 85,47%
LOCAL DE NASCIMENTO
* Outro município: 83,30%
* No próprio município: 9,06%
* Outro país: 7,64%
LOCAL ONDE DORME
* Na rua: 56,62%
* Albergue: 24,60%
* Outra forma: 16,92%
* Domicílio particular: 1,85%
ESCOLARIDADE
FREQUÊNCIA ESCOLAR
* Já frequentou (não estuda mais): 95,98%
* Nunca frequentou: 2,36%
* Frequenta/frequentou rede pública: 1,45%
* Rede privada: 0,20%
ALFABETIZAÇÃO
* Sabe ler e escrever: 94,36%
* Não sabe: 5,64%
MOTIVOS PARA IR MORAR NA RUA
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TEMPO EM SITUAÇÃO DE RUA
FAIXA ETÁRIA
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