A Operação Aruana divulgou mais detalhes sobre a organização criminosa investigada por tráfico de animais silvestres no país. A ofensiva coordenada pelo Ministério Público de Santa Catarina mobilizou agentes nesta terça-feira (3) e revelou como funcionava o esquema que retirava animais da natureza para venda ilegal em diferentes estados.
De acordo com o GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas), as investigações identificaram uma rede com tarefas separadas entre os envolvidos. A apuração foi conduzida pela 21ª Promotoria de Justiça da comarca de Joinville e resultou no cumprimento de 65 ordens judiciais, sendo 45 mandados de busca e apreensão e 20 de prisão, contra 39 pessoas investigadas.
Segundo o promotor de Justiça e coordenador do GAECO em Joinville, Diogo Luiz Deschamps, o grupo atuava de forma organizada em várias etapas do crime. “Foram identificados quatro núcleos distintos: um dos caçadores, que retiravam os animais da natureza; outro dos transportadores, que levavam esses animais do local da caça até o ponto onde seriam vendidos; um dos negociadores, que faziam a venda irregular desses animais; e ainda um quarto núcleo de pessoas que forjavam documentos para dar aparência de legalidade a esses animais que foram retirados ilicitamente da natureza”, explicou o promotor.
As ordens judiciais foram expedidas pela Vara Estadual de Organizações Criminosas de Santa Catarina e são cumpridas em cidades catarinenses e também em estados como Paraná, São Paulo, Bahia e Rio Grande do Sul.
ANIMAIS RESGATADOS DEVEM VOLTAR À NATUREZA
Durante as diligências, as equipes também buscaram identificar e resgatar animais mantidos ilegalmente. Parte deles foi encontrada em condições inadequadas e encaminhada para centros especializados de atendimento e reabilitação. A promotora de Justiça Simone Cristina Schultz, da 21ª Promotoria de Justiça de Joinville, destacou que a prioridade é reabilitar os animais para que retornem ao habitat natural sempre que possível.
“Os animais apreendidos na data de hoje, tanto aqui em Santa Catarina como nos outros estados, serão encaminhados para centros especializados de tratamento, onde eles serão submetidos a uma avaliação. Primordialmente, retornarão à natureza, será feita a realização da soltura desses animais. E aqueles que não puderem retornar à natureza por conta de alguma debilidade ou doença serão mantidos nesses centros de tratamento e acolhimento de animais silvestres”, afirmou.
Ela também alertou para a gravidade do crime e os impactos diretos sobre a fauna. “Toda atividade que envolve o tráfico de animal silvestre — venda, compra, mantença em cativeiro — envolve, primordialmente, situações muito cruéis de maus-tratos contra esses animais. A primeira grande agressão é retirá-los da natureza, do seu habitat natural, mas, invariavelmente, eles são mantidos e transportados em situação degradante. Muitos, inclusive, vêm a óbito nesse transporte”, disse a promotora.
Simone ainda reforçou a importância da conscientização da população para combater o crime ambiental. “É importante que as pessoas tenham essa consciência, não alimentem esse tipo de delito, não comprem animais. Observem esses animais na natureza, apreciem os animais na natureza, não os coloquem em cativeiro, não adquiram animais porque, desta forma, vocês não estarão alimentando esse tipo de crime tão grave, tão cruel.”
POR QUE A OPERAÇÃO CONTRA TRÁFICO DE ANIMAIS RECEBEU O NOME ARUANA
A investigação foi batizada de Operação Aruana em referência à proteção da natureza. O termo tem origem no tupi-guarani e pode ser interpretado como “sentinela da natureza”, simbolizando a vigilância contra crimes ambientais e a defesa da fauna silvestre.
As ordens judiciais foram autorizadas pela Vara Estadual de Organizações Criminosas de Santa Catarina e estão sendo cumpridas em diversos municípios. No estado, as diligências ocorrem em cidades como Joinville, Balneário Camboriú, Balneário Barra do Sul, Barra Velha, Florianópolis, Governador Celso Ramos, Indaial, Ilhota, Itajaí, Itapema, Jaraguá do Sul, Navegantes, Palhoça, Santo Amaro da Imperatriz e Timbó. A operação também alcança outros estados do país. Há mandados em Curitiba, no Paraná, e em Lauro de Freitas, na Bahia, além de municípios paulistas como Guarulhos, Diadema, Ribeirão Preto e Sorocaba. No Rio Grande do Sul, as ações são realizadas nas cidades de Pelotas e Glorinha.
Deixe o seu comentário!