
A manhã desta segunda-feira (23), marca mais um capítulo decisivo na recente história do Figueirense. Paulo Sérgio Galotti Prisco Paraíso anunciou a renúncia à presidência do Conselho de Administração da SAF em um vídeo no qual faz a leitura de sua carta de despedida. Um movimento que, embora formalizado agora, já se desenhava nos bastidores políticos do clube.
Em sua manifestação, Prisco Paraíso relembra sua trajetória, especialmente a primeira passagem, marcada por conquistas expressivas: títulos estaduais, acesso à elite do Campeonato Brasileiro, longa permanência na Série A e o vice-campeonato da Copa do Brasil. Um período que consolidou o Figueirense como uma das forças do futebol catarinense e nacional, justificando o clamor por seu retorno em 2019, após a saída da gestão da Elephant.
Desde que reassumiu protagonismo, a partir de 2020, há, sim, entregas relevantes fora das quatro linhas. A consolidação da propriedade do estádio Estádio Orlando Scarpelli e a sua regularização, como também do terreno ao lado do estádio são legados administrativos importantes, que podem gerar receitas futuras ao clube.
Como também a Recuperação Judicial que concentrou as dívidas do clube e está às portas de sua homologação após o Figueira apresentar, quando intimado em juízo de primeiro grau, as garantias de que vai poder cumprir com o plano de recuperação e pagamento aos credores. No entanto, o futebol — produto central de qualquer instituição esportiva — não acompanhou.
O Figueirense caminha para o sexto ano consecutivo na Série C, flertou com o rebaixamento à Série D em temporadas recentes e amargou a queda para a Série B do Campeonato Catarinense. Resultados que evidenciam a desconexão entre a gestão administrativa e o desempenho esportivo, fator determinante para o desgaste interno que, sendo um clube de futebol é natural.
A renúncia, portanto, é reflexo direto da ruptura política que se intensificou nas últimas semanas. Protestos da torcida, somados à articulação de conselheiros, culminaram na não homologação dos nomes indicados para a SAF em reunião do conselho deliberativo — um movimento que, na prática, já representava uma destituição.
Agora, com a saída formal de Prisco Paraíso e de outros membros, como José Carlos Lages, e do conselho fiscal da SAF Alvinegra, consolida-se a vacância dos cargos.
Com a saída dos dirigentes, se tem que a associação, controladora de 100% da SAF, avance na indicação de uma nova composição. E neste ponto não mudou o que já estava desenhado após a não homologação dos membros da SAF Alvinegra na última reunião do conselho deliberativo e que estavam desde dezembro de 2021, ou seja, desde sua criação.
Agora, sobre os próximos passos, após a renúncia dos dirigentes, já que além de Paulo Prisco, renunciaram o vice José Carlos Lages e os componentes do conselho fiscal da SAF, Nilson José Goedert (Presidente), Célio Mangrich Júnior, Simone Regina de Souza Cechetto, José Aloízio de Andrade (Membros do Conselho Fiscal FFC SAF), além dos Srs. João Geraldo Fidélis e Thiago Buss Coelho (Suplentes do Conselho Fiscal do Figueirense FC SAF), se tem que o art. 30 do estatuto da SAF Alvinegra assim dispõe:
“Ocorrendo vacância definitiva de qualquer dos cargos de membro do Conselho de Administração, um novo membro será eleito na primeira Assembleia Geral da Companhia após a ocorrência, observado o disposto no Artigo 29 supra e o disposto no parágrafo segundo do artigo 21 deste Estatuto. Para os fins deste artigo, ocorrerá a vacância de um cargo de membro do Conselho de Administração quando ocorrer a destituição, renúncia, morte, impedimento comprovado, invalidez ou perda do mandato”.
Assim, como o próprio clube é o único acionista em 100%, indicará os novos nomes dos cargos vagos, sob a liderança do seu presidente José Tadeu da Cruz e em alinhamento com o presidente do Conselho Deliberativo Antônio Miranda. E, já há, nos bastidores, a construção de um consenso para os próximos nomes para membros diretivos da SAF, que depois serão levados a homologação ou não pelo conselho deliberativo.
Até lá, os demais membros da SAF que não renunciaram mantém a administração da SAF do Figueirense que é quem faz a gestão do futebol do clube junto a Federação Catarinense de Futebol e a Confederação Brasileira de Futebol, onde continuam atuando os funcionários e colaboradores, como o CEO Rafael Franzoni e o diretor executivo de futebol Daniel Kaminski.
Trata-se, portanto, de uma saída dos dirigentes da SAF do Figueirense que apenas antecipa o inevitável. Uma ruptura política que reconhece avanços administrativos, mas que escancara a principal falha: a incapacidade de entregar competitividade dentro de campo. Porque, no fim, o clube é futebol — e o futebol teve gestões que além de não entregar resultado, levou até rebaixamento no Campeonato Catarinense.
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