
Algumas expressões e gírias manezinhas estão sendo “esquecidas” pelos mais jovens. Expressões como “ixtepô”, “arrombassi” e “dazumbanho” ainda ecoam nos bairros tradicionais e integram o vocabulário dos de quem nasceu em Florianópolis. No entanto, parte desse “dialeto manezês” vem se perdendo com a mistura de sotaques na capital catarinense.
O jeito de falar dos florianopolitanos tem origem na colonização açoriana e é considerada um dos principais elementos culturais da cidade. Palavras e expressões que antes eram comuns entre diferentes gerações, já não são reconhecidas por algumas crianças e adolescentes de hoje.
A professora Isabel Monguilhott, coordenadora do Projeto Varsul (Variação Linguística na Região Sul do Brasil), explica que os termos mais antigos estão diminuindo na fala cotidiana, mas resistem através dos memes e da mídia. “Algumas expressões continuam vivas, mas outras já não são mais conhecidas pelos mais jovens”, afirma.
A transformação do sotaque em Florianópolis está ligada ao crescimento da cidade e à chegada de moradores de outras regiões do Brasil. O IBGE divulgou dados em 2025 mostrando que a Grande Florianópolis teve o maior crescimento do Brasil, aumentando para 1,5 milhão de habitantes. Isso também explica o preconceito linguístico contra o sotaque manezinho.
Apesar de ser motivo de orgulho, os manezinhos enfrentaram estigmas pelo modo de falar que era visto como atrasado. A valorização cultural, especialmente a partir da década de 1980, ajudou a reverter essa percepção. O prêmio Manezinho da Ilha, por exemplo, reconhece figuras da cultura local e popularizou o termo “manezinho”, graças a Aldírio Simões.
Aldírio Simões foi responsável por destacar o termo “manezinho”, promovendo uma imagem positiva do sotaque. O preconceito linguístico ainda persiste e é abordado em projetos como o Varsul, que atuam nas escolas e buscam conscientizar sobre a diversidade linguística e a igualdade de fala.
O Projeto Varsul, vinculado à UFSC, UFRGS, PUC-RS e UFPR, estuda as variações na fala no Sul do Brasil há quatro décadas, coletando dados para entender o uso do português em diferentes contextos sociais. Com apoio do CNPq, foi realizada uma nova série de entrevistas para verificar se houve mudanças linguísticas em Florianópolis.
Recentemente, um dicionário manezinho foi criado, compilando um vocabulário extenso usado pelos nativos, evidenciando a importância de preservar essa rica herança cultural.
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