Familiares de Luciani Aparecida Estivalet Freitas, de 47 anos, corretora esquartejada em Florianópolis, estiveram na pousada onde ela morava no Santinho, Norte da Ilha, nesta quinta-feira (2). Três irmãs dela saíram de Canoas, no Rio Grande do Sul, para ir até o local retirar os pertences da vítima.
Além disso, as irmãs levaram cartazes cobrando por justiça em meio ao momento difícil que a família passa. “Não queremos que nenhuma família passe por isso novamente. Temos o desejo de justiça, que sejam presos, paguem por isso”, afirmou Ariane, em entrevista ao repórter Jeiseriel Cunha, da NDTV RECORD.
A irmã descreveu que a viagem até Florianópolis foi tensa, visto que a família está com o “coração apertado”. Grace Estivalet, por sua vez, destacou que a retirada dos pertences traz um pouco de alívio para os familiares. “É um momento bem difícil, que é onde estavam os pertences pessoais dela, e é isso que vamos tirar daqui. Mas também saímos um pouco mais aliviados, que é uma etapa que a gente está encerrando”.
Mônica afirmou que a família passa por um momento muito difícil e há um sentimento ruim em precisar retirar os pertences de Luciani do local onde a corretora de imóveis morava. “Estamos devastados com essa brutalidade que fizeram com ela. Temos muita dor, raiva; não tem como ser diferente. Queríamos ter vindo buscar minha irmã, não as coisas dela. Viemos com dor de estômago, enjoo na viagem, para chegar aqui e ter que tirar as coisas dela”, lamentou.
A família ainda aguarda a liberação do corpo para cerimônia oficial de despedida. Na semana passada, o irmão de Luciani, Matheus Estivalet, fez uma publicação nas redes sociais em que relatou o processo de “luto interrompido” vivenciado pelos familiares.
Luciani era natural de Alegrete (RS) e morava sozinha em uma pousada na região norte de Florianópolis no bairro Santinho, onde trabalhava como corretora de imóveis. Ela foi vista pela última vez em 5 de março, quando teria desaparecido de seu apartamento.
Nos dias seguintes ao desaparecimento, familiares começaram a desconfiar de que algo havia ocorrido. Isso porque receberam mensagens enviadas do celular da corretora com erros de português, considerado incomum pela família, o que levantou a suspeita de que outra pessoa estivesse se passando por ela.
Diante disso, a família registrou um boletim de ocorrência por desaparecimento na segunda-feira (9). Ainda no dia 9 de março, moradores da cidade de Major Gercino, a cerca de 100 quilômetros da capital catarinense, avistaram partes de um corpo em um córrego na zona rural do município. A Polícia Militar foi acionada em 11 de março, quando o corpo foi retirado do local e encaminhado para perícia.
Enquanto isso, as investigações avançavam em Florianópolis. A polícia descobriu que, após o desaparecimento de Luciani, compras online estavam sendo realizadas com os dados e cartões da vítima. A retirada das mercadorias foi feita por um adolescente de 14 anos que morava no mesmo residencial que a corretora.
Parte dos pertences de Luciani, como notebook e outros objetos, foi encontrada escondida em um apartamento desocupado do condomínio, que pertencia à mulher de 47 anos. Com isso, três pessoas foram presas: uma mulher de 47 anos, inicialmente por receptação de bens da vítima, além do homem de 27 anos e da companheira dele, de 30 anos, que foram localizados e detidos em 12 de março, na cidade de Gravataí (RS), após deixarem Santa Catarina.
Segundo a investigação, Luciani teria sido morta entre os dias 4 e 5 de março, possivelmente dentro do próprio apartamento onde morava. O corpo teria permanecido no local até a madrugada de 7 de março, quando foi retirado e posteriormente esquartejado antes de ser descartado na área rural de Major Gercino. Até o momento, a Polícia Civil continua investigando a dinâmica exata do crime onde ocorreu o homicídio, como o corpo foi transportado e qual foi a participação de cada suspeito.

