
Florianópolis teve uma alta de 0,79% no Índice de Custo de Vida (ICV) em fevereiro, segundo dados do Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). A alta foi puxada pela mensalidade escolar e alimentação.
A alta de 0,79% representa aceleração tanto na comparação com janeiro deste ano, quando o índice foi de 0,42%, quanto em relação a fevereiro de 2025, que havia registrado 0,62%. No acumulado de 2026, o custo de vida na Capital já soma 1,21%. Já o acumulado dos últimos 12 meses soma 4,54%.
— O que pesou em fevereiro principalmente foi a correção no preço das anuidades escolares, o que é comum por ocorrerem sempre nessa época, e a alimentação no domicílio, quando alguns itens subiram acima da expectativa, com o leite, ovos e carnes — avalia o coordenador do ICV, Hercilio Fernandes Neto.
O índice considera a comparação de preços de 297 itens, coletados entre os dias 1º e 28 de fevereiro. Dos 297 itens pesquisados, 117 apresentaram aumento de preços; 105 permaneceram estáveis e 75 registraram queda.
EDUCAÇÃO LIDERA ALTA
Segundo a Esag, o grupo Educação foi o que apresentou maior variação em fevereiro, com aumento de 5,36%. O principal impacto veio dos cursos regulares, que subiram 8,61%, movimento típico do início do ano letivo. Em contrapartida, os itens de papelaria recuaram 5,24%.
Habitação também pressionou o orçamento das famílias, com alta de 0,99%. Aluguel e taxas subiram 1,42%, enquanto artigos de limpeza e materiais para pequenos reparos avançaram 1,34% e 1,30%, respectivamente.
Já o grupo Artigos de Residência teve elevação de 1,64%, influenciado principalmente pelo aumento nos preços de aparelhos eletrônicos (2,85%) e móveis (1,43%).
ALIMENTAÇÃO AUMENTA 0,48%
Já o grupo Alimentação e Bebidas registrou aumento de 0,48%. Dentro dele, a alimentação no domicílio avançou 0,88%, com destaque para hortaliças e verduras (4,65%). A couve-flor subiu 8%, a beterraba 5,95% e a alface 2,73%.
Também pesaram no bolso as altas em aves e ovos (2,38%), leites e derivados (2,29%) e tubérculos, raízes e legumes (2,22%). O feijão preto (6,17%), o milho de pipoca (6,60%) e a costela bovina (4,97%) estão entre os itens que mais subiram no mês.
Por outro lado, alguns produtos ajudaram a conter uma alta maior. As frutas tiveram queda média de 0,41%, com destaque para o mamão, que recuou 10,40%. Panificados (-0,98%) e farinhas, féculas e massas (-1,16%) também ficaram mais baratos, com redução de 4,07% na farinha de trigo.
A alimentação fora de casa apresentou leve recuo de 0,12%. Apesar da forte alta no suco de fruta (12,64%) e no café (6,33%), o preço do lanche caiu 1,21%, equilibrando o resultado do grupo.
OUTROS GASTOS
O grupo Transportes subiu 0,81% em fevereiro. A principal influência veio do transporte público (1,80%), especialmente das passagens aéreas, que aumentaram 7,23%. Veículo próprio (0,66%) e combustíveis (0,50%) também registraram elevação.
Em Saúde e Cuidados Pessoais, a variação foi mais moderada: 0,08%. Produtos e serviços de cuidados pessoais subiram 0,27%, enquanto itens farmacêuticos e ópticos ficaram praticamente estáveis.
Entre os grupos que apresentaram retração, Vestuário caiu 0,93%, puxado pela redução nos preços de roupas (-1,86%) e joias e bijuterias (-1,92%), apesar da forte alta em tecidos e armarinhos (15,53%). Despesas Pessoais também recuaram 0,34%, com quedas em recreação (-0,62%), fotografia e filmagem (-2,12%) e fumo (-0,34%).
O QUE É O ÍNDICE DE CUSTO DE VIDA
O Índice de Custo de Vida (ICV) é uma pesquisa mensal realizada com exclusividade pelo Esag, sediado em Florianópolis.
O levantamento monitora, desde 1968, a variação de preços de 297 bens e serviços consumidos por famílias com renda entre um e 40 salários mínimos na capital catarinense.
O ICV utiliza a mesma metodologia adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o cálculo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o que permite a comparação direta com os dados nacionais, embora com foco na realidade local.
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