
A mulher que fez ofensas racistas ao atendente de uma loja em Florianópolis, em janeiro deste ano, foi indiciada pelo crime de racismo. As investigações da PCSC (Polícia Civil de Santa Catarina) foram concluídas nesta terça-feira (3). Nas imagens de segurança do estabelecimento, a autora diz “por isso que eu não gosto de nego”, configurando crime de racismo contra o atendente de 18 anos que ficou extremamente abalado com a situação e registrou boletim de ocorrência.
As imagens de segurança registraram a mulher entrando na loja, do bairro Cachoeira do Bom Jesus, em Florianópolis. A autora do crime solicitou o serviço de troca de tela ao atendente. O jovem respondeu que a loja não realizava esse trabalho e indicou outro estabelecimento perto do local. Insatisfeita, a mulher reagiu com ofensas racistas ao rapaz.
Segundo o delegado Pedro Mendes, diretor de Polícia da Grande Florianópolis, o inquérito está com o MPSC para a avaliação da entidade. “Diante da repercussão e da gravidade dos fatos também, foi falado com o delegado da 7ª Delegacia de Polícia, foram ouvidos a vítima e a autora, a imagem do vídeo foi coletada e juntada ao inquérito policial. O inquérito já foi concluído, remetido ao fórum para apreciação do Ministério Público e a autora foi indiciada pelo crime de racismo”, explicou.
O jovem Dennys Evangelista da Silva, de 18 anos, estava trabalhando em uma loja de eletrônicos, no Norte da Ilha, quando foi vítima do crime em Florianópolis. Enquanto deixava o estabelecimento, uma cliente proferiu uma fala pejorativa e disse também que “não gosta de nego”. A cena foi gravada, em áudio e imagem, por câmeras de monitoramento do local. O atendente da loja de eletrônicos contou, em entrevista, que sofreu com a violência proferida pela mulher e que chorou muito com o acontecido. “Eu já tive muitos dias ruins, mas esse nem se compara. Eu cheguei em casa e só queria chorar”, contou à reportagem.
A proprietária do estabelecimento contou que esta não foi a primeira vez que esse tipo de comentário foi feito dentro da loja. Ela reforçou que não deixará a situação ficar impune. “É inadmissível, em 2026, a gente estar vivendo atos de racismo. Não tem como! Pessoas assim têm que ser expostas, tem que pagar. A gente não tem nem o que falar”, afirmou Mirian Colferai, responsável pela loja.
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