
A reunião do Conselho Deliberativo do Figueirense marcada para esta segunda-feira (9), promete ser uma das mais importantes – e também tensas – dos últimos anos na história recente do clube. A convocação prevê primeira chamada às 19H, segunda às 19h30 e a terceira e última às 20H, e irá ocorrer no memorial do estádio Orlando Scarpelli.
A pauta formal é aparentemente simples: a homologação dos membros do Conselho da SAF do Figueirense. A Sociedade Anônima do Futebol foi constituída em dezembro de 2021 e, desde então, cinco nomes indicados pelo presidente da associação passaram a atuar na estrutura da SAF. Entre eles estão o presidente Paulo Sérgio Galotti Prisco Paraíso, o vice-presidente José Carlos Lages, além de João Gonçalves Filho, Gabriel Richter Pires e Fabiano Lehmkuhl Gerber.
O curioso – e politicamente relevante – é que esses nomes nunca chegaram a ser formalmente homologados pelo Conselho Deliberativo. Na prática, os dirigentes vêm exercendo suas funções desde a criação da SAF, já que a indicação partiu do presidente da associação e a empresa é 100% controlada pelo próprio Figueirense.
Portanto, não se pode dizer que atuam de forma irregular, mas existe uma pendência formal que agora chega para decisão do Conselho.
O problema é que, enquanto essa formalização não acontecia, o principal produto da SAF, que é o futebol, vinha se deteriorando dentro de campo. Nos últimos anos o Figueirense acumulou gestões esportivas frágeis, elencos mal montados e resultados decepcionantes. O clube já flertou duas vezes com o rebaixamento para a Série D do Campeonato Brasileiro, disputa pela sexta vez consecutiva a Série C e, agora, amarga uma queda histórica para a segunda divisão do Campeonato Catarinense.
Esse cenário de crise esportiva e também financeira — com atrasos salariais e críticas generalizadas à condução da SAF — levou um grupo de 12 conselheiros a protocolar um pedido de destituição dos atuais dirigentes da sociedade.
Mas existe um detalhe jurídico e político: não se pode destituir quem sequer foi homologado. Por isso, embora a pauta da reunião seja apenas a homologação dos nomes, a decisão pode ter efeito exatamente contrário. Caso o Conselho Deliberativo opte por não homologar os indicados, na prática os cargos ficariam vagos, produzindo um efeito semelhante ao de uma destituição.
No campo o Figueirense caiu para a série B do estadual. Nos bastidores, o ambiente está dividido. Há um grupo de conselheiros que tende a homologar os atuais membros da SAF. Mesmo insatisfeitos com os resultados, esses conselheiros argumentam que existem propostas de investidores a serem analisadas e que uma ruptura neste momento poderia afastar possíveis interessados. A leitura desse grupo é que, caso a venda da SAF avance, os atuais dirigentes naturalmente deixarão seus cargos e que por isso haveria uma “destituição” mais a frente com a venda da SAF.
Por outro lado, o grupo que já assinou o pedido de destituição defende uma mudança imediata. Esses conselheiros não querem aguardar eventuais negociações e trabalham para barrar a homologação. A estratégia seria abrir espaço para uma nova indicação do presidente da associação, José Tadeu Cruz — mas já com a apresentação de cinco nomes diferentes indicados pelo conselho deliberativo do clube, representando uma ruptura completa com o grupo que vem conduzindo a SAF desde 2021.
No pano de fundo desse embate político estão duas propostas de investimento que circulam nos bastidores do clube. Uma delas seria da empresa Kactus Hub trazida pelo CEO Rafael Franzoni. O modelo, segundo informações preliminares, envolveria a venda de 90% da SAF, com 10% permanecendo com o clube associativo.
A segunda proposta estaria sendo articulada pelo empresário Edson da Silva. Nesse caso, a compra seria de 51% da SAF. O que se comenta é que o estádio permaneceria vinculado à SAF e que o terreno do ginásio também faria parte da operação.
Fato é que, independentemente de qual proposta possa avançar, ainda existem poucas informações concretas de ambas as propostas por conta de cláusulas de confidencialidade, sobre projetos esportivos, modelo de gestão do futebol ou planos de reconstrução do clube — justamente o ponto que mais preocupa o torcedor.
Diante desse cenário, a reunião desta segunda-feira ganha contornos decisivos. Mais do que uma simples homologação administrativa, o encontro do Conselho Deliberativo pode redefinir o rumo político da SAF e influenciar diretamente o futuro do Figueirense.
Agora resta aguardar o que acontecerá na noite de segunda-feira e qual caminho o Conselho escolherá para o futuro da Sociedade Anônima do Futebol alvinegra.
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