
Nesta quarta-feira (11), acontece a primeira audiência de instrução e julgamento do processo sobre a morte de Catarina Kasten. A estudante de 31 anos foi morta no dia 21 de novembro de 2025, próximo à trilha da Praia do Matadeiro, em Florianópolis. Na audiência, devem ser avaliadas as oitivas de testemunhas já previstas pelo Ministério Público de Santa Catarina e pela defesa do réu.
De acordo com a advogada da Família e assistente de acusação Daniela Felix, o objetivo dessa 1° audiência é apurar se existem indícios suficientes de autoria e materialidade aos crimes denunciados pelo Ministério Público. Assim, o juiz teria elementos para prolatar a sentença de pronúncia, “que é o que se espera que aconteça, ante o farto conjunto probatório”.
O caso tramita em sigilo por envolver crime sexual. O acusado é réu por feminicídio, praticado por menosprezo à condição de mulher, com as qualificadores de asfixia, identificada como a causa da morte da estudante, e recurso que dificultou a defesa de Catarina.
O assassino confesso também foi denunciado por estupro, cometido com violência, e com a agravante de ter sido cometido por emboscada, além de ocultação de cadáver. Os advogados do acusado afirmam que a defesa é “puramente técnica”, e afirmam que sabem “que a acusação é de um crime grave, que sim, deve ser apurado e devidamente processado”.
Os advogados ainda afirmaram, em nota, que devem atuar no sentido de “fazer valer a Constituição e a lei processual penal”. “Punir é obrigação do estado, porém dentro das regras do jogo. A defesa espera uma jurisdição imparcial, provas lícitas e não contaminadas, simplesmente um jogo justo, com amplo espaço para o contraditório e ampla defesa”, completou a nota, enviada ao g1 SC.
Pode ser que o réu, que está preso de forma preventiva, seja ouvido ainda nesta quarta-feira, dependendo do andamento dos outros depoimentos e da disposição dele em falar. O homem se tornou réu no dia 5 de dezembro de 2025.
De acordo com uma apuração feita pela NSC TV, a defesa do réu chegou a entrar com um pedido de incidente de insanidade mental, mas foi indeferido pela Justiça em 28 de janeiro deste ano.
O assassinato aconteceu no dia 21 de novembro, nas proximidades da trilha da Praia do Matadeiro, em Florianópolis. Catarina havia saído de casa por volta das 6h50, uma sexta-feira, para uma aula de natação. Ao perceber a demora da estudante de pós-graduação da UFSC em retornar para casa, o companheiro dela acionou a Polícia Militar por volta das 12h, após confirmar que ela não tinha comparecido à aula.
Um homem de 21 anos foi identificado com a ajuda de câmeras de segurança e de fotografias feitas por turistas minutos antes do crime. A denúncia do MP afirma que o homem agiu de forma premeditada, ficando escondido atrás de uma lixeira para monitorar a movimentação no local.
Em depoimento, o homem afirmou que imobilizou a vítima com um golpe no pescoço e a arrastou para um local isolado da mata. Ele foi preso em casa, na Armação, e confessou ter matado a estudante.
O crime de feminicídio tem pena de reclusão de 20 a 40 anos, de acordo com a Lei nº 14.994/2024. Com o agravante de asfixia, a pena aumenta de 1/3 a 1/2. Já o crime de estupro pode levar à pena entre 7 e 12 anos de reclusão. Outro crime é o de ocultação de cadáver, que pode levar à reclusão de 1 a 3 anos.
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