terça-feira, 10 de março de 2026
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Casal brasileiro enfrenta incertezas no Catar durante conflitos no Oriente Médio

Redação Notícias Floripa
Redação Notícias Floripa EM 9 DE MARçO DE 2026, ÀS 18:33
Casal posando em área urbana com prédios coloridos e bandeirinhas penduradas, fundo com vista da cidade. Texto de alerta de emergência à direita.
(Foto: Arquivo Pessoal) - Casal brasileiro enfrenta incertezas no Catar durante conflitos no Oriente Médio

A 45 minutos de carro da Base Aérea de Al Udeid, localizada a sudoeste de Doha, no Catar, estão hospedados o casal de catarinenses Rodrigo, 45, e Kamylla Kremer, 33. Os dois chegaram em viagem ao país no dia 26 de fevereiro, com planos de ir embora no dia 2 de março. Contudo, no dia 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra alvos militares e nucleares no Irã. No bombardeio, morreu o líder supremo iraniano, Ali Khamenei. O conflito se espalhou, e os ataques já atingiram também Líbano, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.

Agora, o casal, natural de Florianópolis, segue no país sem previsão de retorno ao Brasil após uma série de cancelamentos de voos e alertas de segurança na região. Como estão hospedados próximos à base aérea americana, explosões e movimentações militares passaram a fazer parte do cotidiano dos brasileiros. No dia 3 de março, um míssil balístico iraniano atingiu a base, considerada a maior instalação militar dos Estados Unidos no Oriente Médio. Segundo o governo catariano, não houve feridos.

Segundo Kamylla, desde que o espaço aéreo passou a sofrer restrições, as companhias aéreas têm feito sucessivas remarcações das passagens, que acabam canceladas pouco tempo depois. Diante da incerteza, os brasileiros preencheram um formulário com seus dados e decidiram permanecer no hotel onde estão hospedados, acompanhando as orientações das autoridades locais. Desde o início do conflito, segundo ela, o governo do Catar tem custeado hospedagem e alimentação para turistas afetados pelo fechamento do espaço aéreo e impossibilitados de retornar para casa. Apesar da assistência, a rotina na cidade mudou. De acordo com Kamylla, vários pontos turísticos foram fechados e apenas serviços essenciais permanecem funcionando.

— Os pontos turísticos estão fechados, semelhante a um lockdown. Apenas serviços essenciais e algumas lojas em shoppings estão abertas em toda a cidade — contou. Segundo ela, as ruas estão vazias.

Com a frequência de cancelamentos e a falta de previsão para novos voos, alguns viajantes passaram a considerar a possibilidade de deixar o Catar por terra, seguindo até a Arábia Saudita, em um trajeto de aproximadamente sete horas. O espaço aéreo em Riad continuava operando normalmente, o que poderia permitir o embarque em voos internacionais. Apesar disso, segundo Kamylla, a embaixada brasileira informou que não poderia garantir a segurança do deslocamento, deixando a decisão sob responsabilidade de cada pessoa. Por causa disso, o casal optou por permanecer no hotel, onde recebem assistência do governo catariano.

Na quarta-feira (5), o casal foi até o escritório da companhia aérea para buscar novas informações sobre o retorno ao Brasil. Mesmo sem confirmação sobre a reabertura do espaço aéreo, um voo chegou a ser programado para o dia 8 de março, às 1h30min (horário local de Doha). Ao retornarem ao hotel, no entanto, novas explosões foram ouvidas na cidade, na direção de uma base militar e da embaixada dos Estados Unidos no Catar. Logo depois, os hóspedes receberam um alerta de segurança pública determinando que todos permanecessem dentro de casa. “O nível de ameaça à segurança é elevado. Todos são obrigados a permanecer dentro de casa, abster-se de sair e ficar longe de janelas e áreas expostas, a fim de garantir a segurança pública”, dizia a mensagem enviada às pessoas que estavam na região.

Pouco tempo depois, o casal foi informado de que o voo marcado para o dia 8 havia sido cancelado. Desde então, seguem no hotel, aguardando novas orientações e sem previsão de quando conseguirão retornar ao Brasil. — Seguimos com essa insegurança e preocupação sobre quando será nosso retorno de forma segura ao Brasil — relatou Kamylla.

Segundo Kamylla, a tensão na região segue aumentando. Na noite de domingo (8) e também durante a tarde desta segunda-feira (9), moradores voltaram a ouvir explosões e relatos de novos ataques. — Acertaram uma base de petróleo na cidade vizinha de Bahrein. A situação é muito incerta — afirmou.

A escalada ocorre em meio a novos desdobramentos do conflito no Oriente Médio. Nas últimas horas, ataques atingiram infraestruturas energéticas na região do Golfo, incluindo instalações petrolíferas no Bahrein, que sofreram danos após ofensivas com drones e mísseis atribuídas ao Irã. Ao mesmo tempo, o Irã anunciou um novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei morto nos bombardeios do fim de fevereiro. A troca de liderança aumenta a incerteza sobre os próximos passos do país e sobre como Estados Unidos e Israel irão reagir nos próximos dias, enquanto potências como a Rússia aparecem em declarações públicas em defesa do governo iraniano.

O QUE DIZ O ITAMARATY? Em nota ao NSC Total, o Ministério das Relações Exteriores informou que acompanha a situação dos brasileiros no Oriente Médio desde o início da crise, por meio de 12 embaixadas na região e do escritório de representação em Ramala. Segundo o Itamaraty, as representações diplomáticas prestam assistência consular a brasileiros que procuram os postos e mantêm monitoramento permanente da situação em contato com governos locais, outras embaixadas e as comunidades brasileiras.

De acordo com o ministério, o chanceler Mauro Vieira está diretamente envolvido nas negociações para resolver a situação de turistas e passageiros em trânsito, principalmente no Catar e nos Emirados Árabes Unidos. Na última semana, ele manteve contatos telefônicos com chanceleres de nove países da região, incluindo Jordânia, Kuwait, Bahrein, Arábia Saudita, Catar, Omã, Líbano, Turquia e Emirados Árabes Unidos. O governo brasileiro também informou que acompanha a reabertura gradual do espaço aéreo na região para facilitar a remarcação de voos. As embaixadas no Catar e nos Emirados Árabes Unidos passaram a realizar cadastramento de brasileiros por meio de formulários online para organizar a assistência consular.

Segundo o Itamaraty, o Catar anunciou em 6 de março a reabertura parcial de seu espaço aéreo. A companhia Qatar Airways retomou gradualmente as operações, inicialmente com número reduzido de voos internacionais. A expectativa é de ampliação progressiva das rotas. O ministério informou ainda que negocia com autoridades do Catar e da Arábia Saudita a possibilidade de transporte terrestre seguro de brasileiros de Doha até o aeroporto internacional de Riad, de onde poderiam embarcar em voos comerciais. O Itamaraty reforçou que vem emitindo alertas consulares sobre a situação no Oriente Médio desde outubro de 2023. Desde junho de 2025, segundo a pasta, a recomendação oficial é que brasileiros evitem viajar para a região e que aqueles que já estejam nos países afetados busquem meios de sair da área.

LEIA A NOTA DO ITAMARATY NA ÍNTEGRA O Ministério das Relações Exteriores, por intermédio das doze Embaixadas do Brasil no Oriente Médio e do Escritório de Representação em Ramala, acompanha a situação dos brasileiros na região desde o início da atual crise e presta assistência consular a todos os nacionais que procuram suas repartições, tendo sempre em conta a realidade de cada país e as determinações da legislação brasileira e internacional. O monitoramento permanente da situação é realizado em estreito contato com os governos locais, as embaixadas de outros países e as comunidades lá presentes – estas, por meio de grupos de mensagens instantâneas e páginas dos postos em redes sociais. Dessa forma, o governo brasileiro tem podido mapear número e localização de brasileiros em trânsito e residentes nos países afetados pelo conflito, além de transmitir aos nacionais, em tempo real, orientações pertinentes das autoridades locais. O Ministro Mauro Vieira está diretamente envolvido em contatos para resolver a situação de turistas e passageiros em trânsito e de férias na região, sobretudo no Catar e nos Emirados Árabes Unidos. No decorrer da última semana, o Ministro manteve contato telefônico com nove chanceleres da região (Jordânia, Kuwait, Bahrein, Arábia Saudita, Catar, Omã, Líbano, Turquia e Emirados Árabes Unidos, este por duas vezes). A situação dos brasileiros nesses países foi o tema prioritário dessas conversas, como demonstram os relatos divulgados no perfil do Ministério das Relações Exteriores no “X”: O governo brasileiro também permanece em contato com as autoridades dos países do Oriente Médio para monitorar a situação de segurança e acompanhar a reabertura dos espaços aéreos, de modo a facilitar a remarcação de voos. As Embaixadas juntos aos Emirados Árabes Unidos e ao Catar, países que recebem voos diretos do Brasil e abrigam muitos nacionais em trânsito, realizam cadastramento por meio de formulário “online” disponibilizado em suas redes sociais, com vistas a melhor avaliar as formas de assistência consular cabíveis. Ambos os postos estão em contato com as autoridades e companhias aéreas locais. O Catar anunciou, em 6/3, reabertura parcial do espaço aéreo do país. A Qatar Airways opera, desde 5/3, um número limitado de voos a partir de Omã e da Arábia Saudita, e, em 7/3, partiram os primeiros voos de Doha para capitais europeias, com brasileiros a bordo. As rotas estão sendo retomadas de forma progressiva. Inicialmente, a empresa vinha operando 3 voos internacionais por dia, mas, a partir de amanhã, 9/3, há previsão de 10 voos saindo de Doha. O Ministro Mauro Vieira realiza gestões diretas junto ao chanceler catariano para a retomada da rota Doha-São Paulo. O Itamaraty está negociando, ainda, com as autoridades do Catar e da Arábia Saudita, a providência de transporte terrestre seguro de brasileiros de Doha ao Aeroporto Internacional de Riade, para posterior embarque em voos comerciais. Reitera-se que este Ministério vem emitindo alertas consulares sobre a situação no Oriente Médio desde outubro de 2023. Desde junho de 2025, o Itamaraty recomenda que brasileiros não viajem à região, e que os brasileiros já no Oriente Médio buscassem maneiras de sair da área. Os alertas consulares seguem sendo atualizados, e recomenda-se aos brasileiros atenção à seção “alerta consular” do Portal Consular do MRE.

Redação Notícias Floripa
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A Redação Notícias Floripa é composta por uma equipe de jornalistas profissionais baseados em Florianópolis. Comprometidos com o Jornalismo Local e a verificação dos fatos, cobrimos segurança, clima e serviços públicos consultando sempre fontes oficiais e autoridades competentes. Nosso processo editorial prioriza a precisão e a utilidade pública para os moradores da Grande Floripa.

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