Foi preso nesta terça-feira (15) o ex-verador de Florianópolis Marcos Aurélio Espíndola, conhecido como Badeko. Ele se entregou na Penitenciária Masculina de Florianópolis, onde passa a cumprir a pena de oito anos de prisão pelo crime de lavagem de dinheiro.
Badeko e a irmã Carolina Machado foram condenados em 2021 pela 1ª Vara Criminal da Capital. Eles foram alvos da Operação Aves de Rapina, deflagrada em 2014 pela Polícia Federal (PF) em apoio ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). A investigação apontou um esquema de propina envolvendo empresários e vereadores para evitar a aprovação do projeto Cidade Limpa, para regular a publicidade externa na paisagem urbana.
O ex-vereador recorria em liberdade à condenação, que determinou o cumprimento da pena em regime semiaberto. Com o trânsito em julgado do processo, Badeko teve o direito de se apresentar voluntariamente para o cumprimento da pena antes da expedição de um mandado, segundo resolução do Conselho Nacional de Justiça.
A condenação também prevê a perda de um imóvel na Costa da Lagoa, adquirido com dinheiro ilícito, e a devolução de R$ 80 mil pela venda de uma lancha. Os valores serão entregues aos cofres do Estado. A irmã, Carolina Machado, foi condenada a três anos e meio de prisão e pagamento de multa, mas teve a pena convertida em prestação de serviços comunitários.
De acordo com a denúncia do MPSC, Badeko movimentou mais de R$ 1 milhão entre 2010 e 2013. A Justiça considerou que esse valor é muito superior ao que ele teria recebido nesse mesmo período, que seria de R$ 537,8 mil, e que não foram encontradas provas que justificassem uma outra fonte de renda para o ex-vereador.
A investigação que levou à Operação Aves de Rapina, iniciada no fim de 2013, apontou um esquema de corrupção envolvendo a Câmara de Vereadores, o Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (Ipuf) e a Fundação Cultural Franklin Cascaes. O esquema, segundo a PF, envolvia pagamento de propina de empresários a servidores públicos, além de fraudes em licitações de eventos e até mesmo na instalação de radares. Os empresários denunciados teriam ainda pago R$ 100 mil a um vereador para alterar o Projeto de Lei Cidade Limpa para que beneficiasse os empresários.
O vereador, então, teria procurado outros parlamentares a pedido dos operadores do esquema e oferecido propina para aprovarem a proposta com a modificação sugerida por ele. A denúncia do MPSC aponta que ao menos nove vereadores teriam sido cooptados.


