Florianópolis: Governo luta por cotas de pesca da tainha em 2026

Publicado por Marcelo Neves em 23 de junho de 2026 às 04:49. Atualizado em 23 de junho de 2026 às 04:49.

A safra da tainha voltou ao centro do noticiário em Florianópolis após o Governo de Santa Catarina levar à Justiça Federal a disputa sobre as cotas da pesca artesanal no litoral.

A ação foi protocolada pela Procuradoria-Geral do Estado em 15 de junho e mira trechos da Portaria Interministerial MPA/MMA nº 51/2026, que impôs limite ao arrasto de praia.

Na capital catarinense, o tema tem peso econômico e simbólico porque a pesca da tainha mobiliza comunidades tradicionais, rende trabalho sazonal e influencia a rotina em vários pontos da cidade.

O que motivou a ofensiva judicial

Segundo a PGE, a Ação Civil Pública foi ajuizada para suspender as cotas de captura da tainha no arrasto de praia.

O governo estadual sustenta que a restrição ameaça a subsistência de pescadores, interfere em uma prática cultural reconhecida no litoral catarinense e fere a autonomia federativa.

A discussão ganhou força depois de o limite de captura ser alcançado ainda no início da temporada, provocando paralisação da modalidade em praias catarinenses.

Na avaliação do Estado, o problema não estaria em risco imediato de sobrepesca, mas no desenho regulatório aplicado exclusivamente a uma atividade tradicional.

  • O alvo da ação é a Portaria nº 51/2026.
  • O ponto central é a cota para arrasto de praia.
  • O pedido busca suspender os efeitos da regra em Santa Catarina.
Reunião do governo de Florianópolis discutindo cotas de pesca da tainha para 2026
Foto: Divulgação / Tratada com IA

Quais regras estão em vigor em 2026

O Ministério da Pesca informou que a Portaria Interministerial nº 51, de 27 de fevereiro de 2026, fixou 1.332 toneladas para o arrasto de praia em Santa Catarina.

O mesmo comunicado federal afirma que o monitoramento ocorre em tempo real por sistemas oficiais, com a justificativa de evitar extrapolação das capturas durante a safra.

Já em 9 de junho, o governo federal anunciou ampliação da cota para pescadores artesanais do litoral norte catarinense, mas condicionou a liberação à publicação de nova portaria conjunta.

Essa combinação de suspensão, promessa de ampliação e espera por regulamentação ampliou a pressão política sobre Brasília e reacendeu o embate entre Estado e União.

  1. A portaria federal definiu o teto inicial da safra.
  2. O limite foi atingido rapidamente.
  3. Houve anúncio de ampliação parcial.
  4. Santa Catarina reagiu com ação judicial.

Por que Florianópolis acompanha o caso de perto

Florianópolis concentra bairros e praias onde o arrasto de praia tem valor histórico, social e turístico, o que transforma a discussão regulatória em tema sensível para a cidade.

Na Assembleia Legislativa, parlamentares lembraram que 419 licenças foram emitidas para a modalidade nesta temporada e que Santa Catarina responde por cerca de 45% da produção nacional de tainha.

Embora os números sejam estaduais, eles ajudam a dimensionar o tamanho do impacto para municípios costeiros como a capital, onde a atividade também movimenta comércio local.

Se a Justiça conceder medida favorável ao Estado, a expectativa é de retomada do debate sobre autonomia regional e preservação econômica das comunidades pesqueiras.

Se a regra federal for mantida, o impasse deve continuar nas próximas semanas, com novos desdobramentos administrativos, políticos e judiciais em Florianópolis e no restante do litoral.

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