Florianópolis abriu uma nova frente de planejamento urbano na área continental com um projeto que mira calor extremo, alagamentos e travessias inseguras entre Coqueiros e Estreito.
A proposta foi publicada pela prefeitura no fim de maio e detalha intervenções em 399 hectares, com impacto direto sobre circulação, áreas verdes e drenagem urbana.
O plano surge num momento em que a Grande Florianópolis também concentra 1.257 atendimentos do SAMU por acidentes de trânsito em 2026, reforçando a pressão sobre mobilidade e segurança viária.
Projeto prevê corredores verdes, parklets e nova transposição
Segundo o material técnico da prefeitura, a rede proposta conecta bairros, equipamentos públicos e áreas de lazer numa faixa urbana cortada por barreiras viárias importantes.
O desenho inclui 16 corredores verdes, somando 24,9 quilômetros de vias requalificadas, além de soluções para pedestres, drenagem e sombreamento urbano.
- 13 novas áreas verdes de lazer
- 20 áreas existentes com qualificação prevista
- 81 parklets verdes ao longo das vias
- 31 pontos de ônibus com intervenções climáticas
Entre os pontos mais sensíveis, o projeto prevê 1 nova transposição da BR-282 e a qualificação de outras 7 travessias, uma das principais demandas da região continental.

Meta é reduzir temperatura e enfrentar alagamentos recorrentes
A prefeitura enquadra a proposta como ação de adaptação climática. O foco está em uma área marcada por ilhas de calor, baixa arborização, poluição hídrica e enchentes frequentes.
O documento estima redução média de 1,3°C na área total do projeto e de 2,5°C nos corredores verdes, caso as intervenções avancem para execução.
Na drenagem, o plano combina infraestrutura cinza e soluções baseadas na natureza, com jardins de chuva, wetland, bacias de retenção e jardins filtrantes.
- 1 wetland de 5 mil metros quadrados
- 5 jardins filtrantes, totalizando 8,6 mil metros quadrados
- 248 jardins de chuva
- 1 bacia de retenção e 1 de detenção
Além do efeito climático, a proposta promete melhorar a qualidade da água, ampliar biodiversidade e reduzir emissões ligadas ao deslocamento motorizado.
Continente vira laboratório urbano da nova estratégia da capital
O projeto beneficia diretamente mais de 23 mil moradores, segundo a prefeitura, mas o alcance político e urbano é maior porque testa um modelo replicável em outras áreas da capital.
Esse movimento conversa com o programa municipal de requalificação urbana, que já vinha defendendo prioridade aos modos ativos, espaços públicos e resiliência climática em outros trechos de Florianópolis.
Na prática, o desafio agora sai do campo conceitual e entra em etapas mais duras: projeto executivo, licenciamento, governança, busca de recursos e obras.
- Conclusão dos estudos complementares
- Consolidação da governança do projeto
- Licenciamento e captação de recursos
- Execução das intervenções e monitoramento
Se avançar, a iniciativa pode alterar a rotina de um eixo historicamente pressionado por calor, trânsito intenso e fragmentação urbana. Para Florianópolis, o teste vale como termômetro da capacidade de transformar planejamento em obra.
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