Florianópolis: Polícia Civil apreende R$ 9 milhões em criptomoedas

Publicado por Marcelo Neves em 18 de junho de 2026 às 22:49. Atualizado em 18 de junho de 2026 às 22:49.

A Polícia Civil de Santa Catarina realizou em Florianópolis a maior apreensão de criptomoedas autocustodiadas já registrada pela corporação. A ação foi divulgada em 18 de junho de 2026.

Segundo a SSP-SC, a ofensiva mirou um casal investigado por desviar cerca de R$ 9 milhões de uma empresa catarinense ao longo de vários anos.

Os mandados foram cumpridos na quarta-feira, 17, e abriram um novo capítulo no combate a crimes patrimoniais com uso de ativos digitais na capital catarinense.

O que a operação encontrou em Florianópolis

De acordo com a Polícia Civil, a investigação foi conduzida pela Delegacia de Combate a Estelionatos da Capital, com apoio da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática.

Durante as buscas, os agentes localizaram e apreenderam aproximadamente 72 mil dólares em criptoativos autocustodiados, valor tratado como recorde histórico interno da corporação.

A apuração aponta que os recursos teriam sido desviados por um dos sócios da empresa vítima. Parte do dinheiro, segundo os investigadores, passou por empresa ligada à esposa do suspeito.

  • Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão.
  • A Justiça autorizou o bloqueio de contas até R$ 9 milhões.
  • Também houve sequestro de bens de luxo e retenção de passaportes.
Operação policial em Florianópolis revela grande apreensão de criptomoedas
Foto: Divulgação / Tratada com IA

Como funcionaria o esquema investigado

A linha investigativa sustenta que os valores eram transferidos primeiro para uma empresa registrada em nome da esposa do investigado.

Depois, conforme a polícia, o dinheiro seguia para contas vinculadas ao próprio suspeito, numa dinâmica que buscava ocultar a origem dos recursos.

As medidas cautelares ainda incluem o afastamento temporário do sócio da administração da empresa atingida pelo suposto esquema.

Segundo a corporação, os investigados poderão responder por estelionato majorado e lavagem de dinheiro, crimes que ainda dependem do avanço do inquérito.

Por que a apreensão de criptoativos chama atenção

O caso ganhou peso porque envolve carteiras digitais fora de corretoras tradicionais, o que costuma impor barreiras extras para rastreamento e recuperação patrimonial.

A SSP informou que o cerco a estruturas criminosas na Grande Florianópolis tem ampliado o foco sobre bens ocultados e fluxos financeiros complexos.

Neste caso, a identificação dos ativos digitais contou com suporte técnico da Chainalysis, por meio das plataformas Reactor e Wallet Scan, citadas oficialmente pela investigação.

  • Criptoativos autocustodiados ficam sob controle direto do usuário.
  • Isso reduz intermediários, mas pode dificultar bloqueios tradicionais.
  • Para a polícia, o modelo exige técnicas digitais mais sofisticadas.

Impacto imediato e próximos passos

A operação reforça uma mudança no perfil das investigações econômicas em Florianópolis, agora cada vez mais conectadas a tecnologia, rastreamento digital e blindagem patrimonial.

Nos últimos dias, a capital também recebeu outras frentes de segurança pública, como a fase de nivelamento da OTEC 2026 da PRF na UniPRF, mostrando pressão ampliada sobre o crime organizado e delitos financeiros.

O inquérito sobre o desvio milionário segue em andamento. Novas quebras de sigilo, análise de dispositivos e rastreamento de movimentações digitais devem definir o alcance real do prejuízo.

Para Florianópolis, o caso tem efeito simbólico: mostra que a disputa contra fraudes corporativas deixou de ser apenas contábil e passou a depender, também, de inteligência sobre ativos virtuais.

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