A Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou, em Florianópolis, a operação “Acabou a Farra” para reprimir crimes ligados à Farra do Boi na Costa da Lagoa. A ação ocorreu na sexta-feira, 22 de maio.
Segundo a corporação, o inquérito apura maus-tratos a animais, associação criminosa, lesão corporal e coação no curso do processo. O caso ganhou repercussão após um episódio registrado no fim de abril.
De acordo com a investigação, um boi foi levado por via marítima à comunidade, teve os chifres cortados e sofreu agressões. A operação cumpriu 28 mandados de busca e apreensão.
Como a operação foi executada
As buscas ocorreram em três regiões: Costa da Lagoa, Lagoa da Conceição e Ingleses do Rio Vermelho. A ofensiva mobilizou equipes terrestres e apoio náutico.
Segundo a Polícia Civil, participaram 42 policiais civis e 16 policiais militares. A Polícia Militar Ambiental ainda cedeu oito embarcações e duas motos aquáticas.
Durante as diligências, os agentes apreenderam celulares e sistemas de gravação de vídeo, conhecidos como DVRs. O material será submetido à perícia técnica.
- Cumprimento de 28 mandados de busca
- Apreensão de celulares e equipamentos de vídeo
- Atuação em áreas de acesso terrestre e marítimo
- Integração entre Polícia Civil, PM e Polícia Militar Ambiental

O que motivou a investigação
O inquérito foi aberto após um evento ocorrido no fim de abril de 2026. A apuração também passou a considerar relatos de intimidação contra moradores.
Segundo a polícia, pessoas que não concordavam com a prática ilegal teriam sofrido ameaças e agressões. Em alguns casos, famílias deixaram suas casas por segurança.
Esse ponto amplia o alcance da apuração. O foco deixou de ser apenas o crime ambiental e passou a envolver, também, violência contra moradores da comunidade.
Em outra frente recente na capital, a Polícia Civil informou que reforçou protocolos de prevenção à violência contra a mulher no evento dos 100 anos da Ponte Hercílio Luz, sinalizando maior atenção institucional a ações preventivas em grandes operações.
Penas e sanções previstas
A Polícia Civil reiterou que a Farra do Boi configura crime de maus-tratos. Quando há atuação conjunta de vários envolvidos, também pode haver enquadramento por associação criminosa.
Segundo a corporação, as penas somadas podem chegar a quatro anos de prisão, além de multa. Na esfera administrativa, a legislação estadual também prevê punições financeiras.
- R$ 10 mil de multa para participantes
- R$ 20 mil de multa para organizadores
- Responsabilização criminal e administrativa paralela
O caso ocorre em um momento em que Florianópolis também discute políticas urbanas e ambientais. A prefeitura mantém em elaboração o Plano Municipal de Arborização Urbana, dentro de uma agenda local ligada à resiliência climática e proteção do espaço urbano.
Próximos passos da apuração
A perícia sobre celulares e DVRs deve orientar a próxima fase do inquérito. A expectativa é identificar participantes, organizadores e eventuais autores de ameaças.
Com isso, a investigação pode avançar para novos indiciamentos. Até agora, a operação marca um dos movimentos mais contundentes de 2026 contra a prática ilegal em Florianópolis.
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