A Justiça catarinense determinou a retomada da fiscalização ambiental da Fundação do Meio Ambiente de Florianópolis em um dos episódios mais sensíveis da agenda pública local neste início de junho.
A decisão ocorre após reação institucional à portaria que havia limitado novos atos fiscalizatórios da fundação, mantendo atendimento prioritário apenas para casos considerados urgentes.
O movimento recoloca a FLORAM no centro do debate sobre capacidade operacional, proteção ambiental e resposta do poder público diante da pressão urbana na capital catarinense.
Decisão judicial reabre fiscalização ambiental em Florianópolis
Segundo o jornal-laboratório da UFSC, a Justiça suspendeu os efeitos da portaria que restringia a fiscalização ambiental em Florianópolis no começo deste mês.
A medida judicial foi atribuída à juíza Luciana Pelisser Gotardi, em liminar citada na reportagem publicada em 2 de junho de 2026 e atualizada em 6 de junho.
Na prática, a decisão impede que a fundação mantenha a paralisação parcial por prazo indeterminado.
O caso ganhou dimensão política e técnica porque a fiscalização ambiental é uma das funções centrais do órgão municipal.
- Órgão afetado: Fundação do Meio Ambiente de Florianópolis
- Medida contestada: limitação de novos atos fiscalizatórios
- Efeito imediato: retomada da atuação regular

Ministério Público aponta ilegalidade e cobra ação plena
Antes da liminar ganhar repercussão ampliada, o Ministério Público de Santa Catarina já havia pedido que a FLORAM retomasse imediatamente e de forma plena a fiscalização ambiental.
O MPSC informou que a portaria publicada em 15 de maio de 2026 limitava a atuação a casos urgentes, o que considerou incompatível com o ordenamento jurídico.
Na avaliação do órgão, o poder de polícia ambiental é obrigatório e não pode ser interrompido por conveniência administrativa.
Essa manifestação reforçou o entendimento de que a crise não era apenas operacional, mas também institucional.
- A portaria restringiu a fiscalização ordinária.
- O MPSC questionou a legalidade da medida.
- A Justiça determinou a retomada da atividade.
Crise expõe gargalos internos e pressiona gestão municipal
A reportagem da UFSC relata que a justificativa da fundação era lidar com acúmulo de processos ambientais parados e falta de estrutura para manter a rotina do órgão.
O texto cita ainda um passivo de 1.627 processos parados, além de forte déficit de pessoal, tema que amplia a pressão sobre a administração municipal.
Em outra frente, a própria Prefeitura mantém no portal de planejamento registros de intervenções urbanas e obras em várias regiões, com boletins que mostram a intensidade das demandas territoriais na cidade.
No sistema municipal, há informação de que a Rodovia João Paulo seguia com impacto total até 12 de junho por implantação de rede coletora e emissário de esgoto, exemplo do volume de ações que exigem monitoramento público.
Para Florianópolis, a retomada da fiscalização tem efeito que vai além do rito jurídico.
Ela atinge diretamente temas como ocupação do solo, proteção de manguezais, licenciamento e prevenção de danos em áreas ambientalmente sensíveis.
- Pressão urbana: expansão imobiliária e obras
- Risco institucional: enfraquecimento do controle ambiental
- Próximo foco: capacidade real de execução da FLORAM
O desdobramento agora depende de como a fundação reorganizará equipes, prioridades e resposta a denúncias após a ordem judicial.
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