sexta-feira, 20 de março de 2026
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Motoristas de carros elétricos enfrentam alta de combustível em Florianópolis

Redação Notícias Floripa
Redação Notícias Floripa EM 19 DE MARçO DE 2026, ÀS 20:16
Imagem dividida: à esquerda, fila de carros em um posto de combustível; à direita, carro preto em garagem com carregador elétrico.
Foto: Cláudio Costa/Arquivo pessoal/ND Mais - Motoristas de carros elétricos enfrentam alta de combustível em Florianópolis

Os rumores de uma possível greve dos caminhoneiros e o medo do racionamento de combustível devido à guerra no Oriente Médio fizeram vários motoristas correrem para os postos de gasolina para abastecer em Santa Catarina, gerando filas que duraram horas. Quem escapou do sufoco foram os donos de veículos elétricos, que ficaram alheios à maior preocupação de quem trabalha dirigindo em Florianópolis.

A motorista de aplicativo Elizabeth Müller Seara, de 29 anos, trabalha há pouco mais de um ano e já começou as corridas com o carro elétrico após receber indicações de outros colegas. Ela explica que consegue trabalhar o dia todo com uma carga completa da bateria e que o carro demora cerca de 6 horas para carregar completamente. “Eu recarrego o meu muito mais em casa, então eu chego, coloco para carregar e de manhã cedo ele está prontinho de novo para sair”.

Elizabeth conta que na quarta-feira (19), enquanto vários motoristas formavam filas em postos de combustíveis para abastecer, ela recebia notificações de promoções no preço do kilowatt em vários pontos de abastecimento da cidade. “Com essa questão da guerra, eu me sinto muito segura por não ter que depender de combustível, somente dos carregadores da energia da minha casa e dos carregadores que têm na rua”, apontou.

Para completar a carga da bateria do carro elétrico, a motorista relata que gasta entre R$ 70 e R$ 100 em postos públicos, considerando uma recarga de 0% a 100%, enquanto em casa o custo cai para cerca de R$ 40 por carga completa, valor que já aparece diluído na conta de luz no fim do mês. O tempo para carregar completamente a bateria varia entre os carros elétricos.

Com essa carga, o veículo tem autonomia de aproximadamente 300 quilômetros e permite até cerca de 10 horas de trabalho contínuo na cidade, dependendo de fatores como trânsito, clima e estilo de direção. A motorista destaca ainda que os aplicativos não reajustaram os preços das corridas após o aumento nos combustíveis. “É vantajoso para mim, porque é muito mais barato no carro elétrico do que no carro a combustão. Por exemplo, no carro a combustão, a corrida tem que pagar pelo menos R$ 1,50 o quilômetro para compensar. No carro elétrico, se pagar R$ 1,10, ainda é vantajoso”, ressaltou.

A desvantagem são os pontos de recarga em Florianópolis, aponta Elizabeth, que ainda são reduzidos. “Tem muitos motoristas de aplicativo com carros elétricos, então chega a um certo horário em que não existe carregador vago”.

Elcymar Marks, de 49 anos, trabalha como motorista de aplicativo desde 2017 e, para ele, nem mesmo os carros que rodam com GNV (Gás Natural Veicular) superam a economia dos veículos elétricos. “Eu faturo R$ 300 por dia. Quem trabalha no GNV está gastando R$ 100 por dia. Ou seja, um terço do valor vai só para o combustível. Na gasolina, teoricamente, como o custo é maior, quase 50% do faturamento vai para o combustível”.

Ele administra um grupo com motoristas de aplicativo que usam carros 100% elétricos e, atualmente, já soma 392 integrantes. São motoristas de toda Santa Catarina, mas a maioria trabalha em Florianópolis.

Mesmo antes do aumento na gasolina e dos rumores de uma greve dos caminhoneiros fazerem os motoristas correrem para os postos, Elcymar já desconsiderava a possibilidade de abandonar o veículo elétrico. “Eu peguei ‘ranço’ de carro a combustão. Se amanhã alguém me der uma ordem… Deus descer da terra e falar: ‘A partir de amanhã, tem que trabalhar com o carro a combustão’. Eu vou falar: ‘Não, obrigado, Deus’. Porque senão eu vou pagar para trabalhar”, brincou.

A greve dos caminhoneiros em Santa Catarina foi oficialmente desmobilizada nesta quinta-feira (19) após avanços nas negociações com o governo federal e medidas anunciadas para o setor. A decisão foi confirmada pelo presidente da ANTC (Associação Nacional dos Transportadores Autônomos de Carga), Sérgio Pereira. Segundo o dirigente, o movimento chega ao fim de forma imediata. “A partir desse momento vai se encerrar. A associação vai fazer uma nota explicando tudo”, afirmou.

Antes disso, na quarta-feira (18), motoristas se anteciparam e foram abastecer veículos, a atitude formou filas em diversos postos de combustíveis pelo estado. Cidades como Florianópolis, Penha, Balneário Camboriú e Blumenau registraram aumento expressivo no atendimento e filas. Consumidores relataram que a gasolina, por exemplo, aumentou cerca de 20 centavos em um curto período de tempo.

Em Itajaí, litoral Norte de Santa Catarina, dos três postos procurados pela equipe do ND Mais na quarta, dois estavam sem gasolina. Um dos locais, segundo um frentista, estava “sem previsão” para receber o combustível e, em outro, o carregamento estava previsto para 12h. Apenas um dos postos tinha gasolina, mas em pequena quantidade. O caminhão da distribuidora fez a entrega de 2 mil litros durante a madrugada de terça. Mas, na quarta-feira (18), o local vendeu mais de 15 mil litros do combustível. Um dos motoristas buscou abastecer um galão de cinco litros além do tanque cheio.

Redação Notícias Floripa
Redação Notícias Floripa

A Redação Notícias Floripa é composta por uma equipe de jornalistas profissionais baseados em Florianópolis. Comprometidos com o Jornalismo Local e a verificação dos fatos, cobrimos segurança, clima e serviços públicos consultando sempre fontes oficiais e autoridades competentes. Nosso processo editorial prioriza a precisão e a utilidade pública para os moradores da Grande Floripa.

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