Em Santa Catarina, a riqueza da biodiversidade proporciona encontros memoráveis de visitantes com espécies que integram o patrimônio natural do estado. Observar animais silvestres em seu habitat é uma experiência única e encantadora, especialmente para quem visita as Unidades de Conservação (UCs), pois elas concentram áreas de alta relevância ambiental. No entanto, essa vivência exige mais do que admiração: requer responsabilidade ativa por parte de cada pessoa.
Ao acessar uma Unidade de Conservação, o cidadão assume o papel de agente na preservação ambiental. Isso significa compreender que suas atitudes impactam diretamente a fauna, a flora e o equilíbrio dos ecossistemas protegidos. Respeitar normas, manter distância dos animais e evitar qualquer tipo de interferência não são apenas recomendações — são deveres de quem usufrui desses espaços públicos.
A bióloga e gerente de Biodiversidade e Florestas do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), Vanessa Moraes Nunes, alerta sobre a busca por interação com animais silvestres. “Essa interação não deve ocorrer entre humanos e animais silvestres. O contato direto ou a alimentação desses animais provocam estresse, favorecem a transmissão de doenças e alteram o comportamento natural das espécies, gerando desequilíbrios ecológicos. Além disso, a aproximação excessiva também representa riscos à segurança das pessoas”, destaca.
A gerente reforça que o respeito aos limites da natureza é essencial: “A orientação do IMA é clara: apreciar, sim — interferir na vida silvestre, não. Contemplar, fotografar, observar a fauna em vida livre é permitido, desde que não invada o espaço dos animais e respeite seu papel no ecossistema”.
A proteção da fauna silvestre depende de uma atuação conjunta entre poder público e sociedade. No caso das Unidades de Conservação, essa responsabilidade é ainda mais evidente, já que são áreas legalmente protegidas e sensíveis à presença humana.
Cada visitante pode contribuir adotando atitudes simples, porém fundamentais: não alimentar animais silvestres; manter distância segura durante avistamentos; não tocar, perseguir ou tentar interagir com os animais; permanecer nas trilhas sinalizadas; não descartar lixo no ambiente natural; respeitar as regras específicas de cada Unidade de Conservação; denunciar práticas ilegais aos órgãos competentes.
O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) atua de forma estratégica na proteção da biodiversidade por meio de Planos de Ação voltados à conservação de espécies ameaçadas de extinção. Entre as iniciativas em andamento, destacam-se: Plano de Ação Territorial para Conservação de Espécies Ameaçadas do Planalto Sul (PAT Planalto Sul); Plano de Ação Estadual para Conservação do boto-pescador (PAE boto-pescador); Plano de Ação Estadual para Conservação do preá-de-moleques (PAE preá-de-moleques).
Esses planos são políticas públicas construídas de forma participativa, envolvendo diferentes setores da sociedade, com o objetivo de reverter ou minimizar ameaças às espécies e aos seus habitats.
Os Planos de Ação — em nível nacional (PAN), territorial (PAT) ou estadual (PAE) — são ferramentas essenciais para a conservação da biodiversidade. Eles orientam ações integradas, desde iniciativas locais até estratégias mais amplas, promovendo o engajamento entre governo, instituições e sociedade civil.
Preservar a fauna silvestre é garantir o equilíbrio dos ecossistemas e a qualidade de vida das futuras gerações. Mais do que visitantes, todos são corresponsáveis pela proteção desses ambientes.
Ao encontrar um animal silvestre, lembre-se: o melhor gesto de cuidado é respeitar seu espaço e cumprir seu papel na conservação.
Mais informações: Jaqueline Vanolli Assessoria de Comunicação Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina


