A chegada do USS Nimitz (CVN-68), um dos maiores porta-aviões da marinha americana, ao litoral brasileiro, prevista para 7 de maio, marcará uma nova etapa da cooperação naval entre Brasil e Estados Unidos. A Operação Southern Seas 2026 está prevista para os dias 11 e 14 de maio, no Rio de Janeiro, e reunirá navios, helicópteros e um submarino brasileiro — mas sem a participação de aeronaves de caça da Marinha do Brasil.
O exercício ocorre em meio a um cenário de tensão diplomática entre os governos dos dois países. Nas últimas semanas, um delegado da Polícia Federal (PF), que atuava como ligação no tece as credenciais, foi convidado a deixar o território americano por ser suspeito de tentar manipular o sistema de imigração para tentar a deportação do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ). Marcelo Ivo de Carvalho atuava em missão oficial de cooperação internacional nos Estados Unidos como oficial de ligação com atuação na agência de Imigração e Controle de Alfândega, o ICE.
Adotando a lei da reciprocidade, um agente do governo dos Estados Unidos teve as credenciais retiradas pela Polícia Federal e deixou o Brasil. Michael Myers era ligado à Homeland Security Investigations (HSI) e atuava no Brasil monitorando atividades do grupo terrorista Hezbollah.
De acordo com informações da Agência Marinha de Notícias e da Marinha do Brasil, o país participará com as fragatas Independência (F-44) e Defensora (F-41), o submarino Tikuna (S-34) e dois helicópteros AH-11B Super Lynx. As atividades incluem um exercício do tipo PASSEX (passing exercise), voltado à integração entre forças navais, além de intercâmbios técnicos e institucionais.
Desta vez, a participação brasileira será restrita a meios de superfície, submarino e helicópteros. Sem aviões de asa fixa, o foco do treinamento estará em operações navais combinadas, guerra antissubmarino, coordenação marítima e integração aeronaval com helicópteros. A presença do submarino Tikuna, por exemplo, amplia a complexidade dos exercícios, permitindo simulações de detecção e resposta a ameaças submersas.
Além de reforçar a cooperação entre a Marinha do Brasil e a Marinha dos Estados Unidos, a operação contribui para o aprimoramento da coordenação tática no Atlântico Sul e consolida o Brasil como parceiro-chave na agenda marítima regional.


