A Prefeitura de Florianópolis encerrou em maio duas consultas públicas de Estudos de Impacto de Vizinhança para novos empreendimentos em áreas estratégicas da capital. Os processos tratam de projetos privados em Coqueiros e no Centro.
Os pedidos foram protocolados na rede oficial de planejamento urbano e ganharam visibilidade por envolverem uso misto, combinação de moradia e comércio, além de possível impacto direto sobre circulação, paisagem e infraestrutura.
O movimento recoloca o debate sobre adensamento urbano em bairros consolidados, num momento em que a cidade também revisa instrumentos para qualificar espaço público, mobilidade e conexão entre áreas residenciais e serviços.
Dois projetos entram no radar do planejamento urbano
O primeiro caso envolve a GCI-Globo Construtora e Incorporadora Ltda., com empreendimento misto residencial e comercial no distrito de Coqueiros.
Segundo a plataforma municipal, a consulta pública desse processo começou em 7 de maio e terminou em 22 de maio de 2026.
O segundo processo é da Parkside Rio Branco SPE Ltda., voltado a um empreendimento de uso misto residencial e comercial na Avenida Rio Branco, no Centro de Florianópolis.
Nesse caso, a consulta também foi aberta em 7 de maio e encerrada em 22 de maio, dentro do rito previsto para análise urbanística.
- Projeto 1: Coqueiros
- Proponente: GCI-Globo
- Projeto 2: Avenida Rio Branco
- Proponente: Parkside Rio Branco SPE

O que está em jogo para moradores e para a cidade
Empreendimentos de uso misto costumam concentrar interesse público porque alteram fluxo diário, demanda por vagas, circulação de pedestres, carga sobre drenagem e pressão sobre serviços urbanos.
No Centro, o tema ganha peso adicional por envolver uma das áreas mais sensíveis da capital, onde convivem comércio intenso, prédios antigos, trânsito carregado e demanda por reocupação qualificada.
Em Coqueiros, a discussão tende a se concentrar em acesso viário, integração com a malha do bairro e capacidade da região de absorver novos moradores e atividades econômicas.
A própria Prefeitura tem sustentado a estratégia de repensar centralidades urbanas. Em março, apresentou o projeto Floripa Centro: Repensando seus espaços públicos para pessoas, desenvolvido com a Gehl People.
- Impacto potencial no trânsito
- Maior demanda por infraestrutura
- Reconfiguração da paisagem urbana
- Pressão sobre serviços públicos locais
Próximos passos após o fim das consultas
Com o encerramento da fase pública, a tendência é que os documentos e manifestações recebidas sigam para análise técnica dos órgãos municipais competentes.
Nessa etapa, podem surgir pedidos de complementação, ajustes de projeto e condicionantes urbanísticas antes de qualquer avanço administrativo.
O acompanhamento também ocorre em paralelo a novas ferramentas de transparência. A prefeitura mantém página específica sobre incentivo à fruição pública, mecanismo ligado à criação de espaços de uso coletivo.
Para urbanistas e moradores, o ponto central será medir se os projetos ajudam a qualificar a cidade ou apenas ampliam a pressão sobre bairros já consolidados.
- Análise técnica dos estudos apresentados
- Possíveis exigências de ajustes aos proponentes
- Definição de condicionantes urbanísticas
- Deliberação administrativa nas etapas seguintes
Num cenário de crescimento contínuo, Florianópolis transforma processos urbanísticos antes restritos a gabinetes em temas de interesse público mais amplo. O desfecho desses dois casos pode sinalizar como a capital pretende equilibrar expansão imobiliária, mobilidade e qualidade urbana em 2026.
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