Pesquisadores da UFSC atribuíram a mortandade de peixes registrada no Manguezal do Itacorubi, em Florianópolis, à combinação entre esgoto não tratado e falta crítica de oxigênio na água.
A conclusão aparece em nota técnica divulgada após o episódio de 22 de abril. O caso recolocou pressão sobre monitoramento ambiental, drenagem urbana e saneamento na capital catarinense.
Segundo a universidade, a mortandade massiva de peixes foi causada principalmente por asfixia em zonas mortas, com níveis de oxigênio dissolvido abaixo do necessário para a sobrevivência da fauna aquática.
O que a nota técnica aponta
O documento foi elaborado por pesquisadores do programa Ecoando Sustentabilidade, vinculado à Universidade Federal de Santa Catarina. A análise relaciona o evento à poluição crônica da bacia hidrográfica local.
De acordo com os autores, o esgoto lançado sem tratamento aumenta a carga orgânica e favorece a decomposição bacteriana. Esse processo consome oxigênio e compromete rapidamente a vida aquática.
Na prática, o cenário descrito pela UFSC indica um problema estrutural, não um episódio isolado. A avaliação também menciona a formação de áreas com circulação hídrica deficiente.
- Causa central: baixa oxigenação da água
- Fator agravante: poluição por esgoto
- Área afetada: bacia do Itacorubi e manguezal
- Data do registro: 22 de abril de 2026

Por que o caso ganhou peso político e urbano
O Manguezal do Itacorubi ocupa área sensível no coração urbano de Florianópolis. Quando ocorre mortandade em massa, o impacto vai além do dano ecológico imediato.
O episódio afeta percepção de qualidade ambiental, saúde pública e gestão territorial. Também amplia a cobrança por respostas da prefeitura, de órgãos ambientais e de concessionárias ligadas ao saneamento.
Em abril, a administração municipal já havia formalizado mudanças de ordenamento territorial. Pelo Decreto nº 29.142/2026, Florianópolis redefiniu a delimitação oficial dos bairros, reforçando a centralidade do planejamento urbano nas discussões sobre uso do solo e infraestrutura.
Especialistas costumam apontar que manguezais urbanos sofrem com ocupação, drenagem inadequada, sedimentos e efluentes. Quando esses vetores se acumulam, eventos agudos se tornam mais prováveis.
- Perda de biodiversidade local
- Mau cheiro e impacto visual
- Pressão sobre órgãos públicos
- Debate sobre saneamento e fiscalização
Próximos desdobramentos esperados
A tendência é de que a nota técnica seja usada como base para novas cobranças por fiscalização, coleta de dados e medidas preventivas no entorno da bacia.
Entre as ações possíveis, especialistas costumam defender monitoramento contínuo da qualidade da água, identificação de lançamentos irregulares e planos de resposta rápida para episódios semelhantes.
No âmbito ambiental municipal, a estrutura regulatória segue ativa. Em maio, a FLORAM publicou nova portaria ligada ao plano de manejo do Parque Natural Municipal Maciço da Costeira, sinalizando movimentação administrativa recente na agenda ambiental da capital.
O caso do Itacorubi, porém, exige resposta prática. Sem redução da carga poluidora e recuperação hidrológica, a avaliação técnica sugere risco de repetição em novos períodos críticos.
Por que o episódio importa agora
Florianópolis vende imagem de capital ligada à natureza e à inovação. A mortandade no manguezal expõe o contraste entre essa narrativa e gargalos históricos de infraestrutura urbana.
Quando a universidade identifica causas objetivas para o problema, o debate deixa o campo da suspeita e entra no terreno da evidência técnica. Isso eleva o custo político da inação.
Mais do que um alerta ambiental, o episódio funciona como teste de resposta institucional. O que vier depois da nota técnica será decisivo para medir a capacidade de reação da cidade.
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