Florianópolis colocou em circulação um novo projeto urbano focado na parte continental da cidade. A proposta mira Coqueiros e Estreito, dois bairros pressionados por calor, enchentes e barreiras à mobilidade.
O material foi publicado pela Prefeitura em 25 de maio e detalha uma rede de corredores e espaços verdes em uma área de 399 hectares, com execução ainda dependente de estudos, licenciamento e captação.
O plano surge como um desdobramento da agenda climática municipal. Segundo o documento oficial, a iniciativa foi selecionada por um programa de aceleração de soluções para calor urbano.
O que o projeto prevê para Coqueiros e Estreito
A proposta combina infraestrutura verde, drenagem e mobilidade ativa. O objetivo é reduzir o desconforto térmico e melhorar a conexão entre áreas residenciais, equipamentos públicos e espaços livres.
O desenho apresentado pela administração municipal reúne corredores arborizados, novas áreas de lazer e intervenções para travessias mais seguras perto da BR-282 e da Avenida Governador Ivo Silveira.
- 16 corredores verdes somando 24,9 quilômetros
- 13 novas áreas verdes de lazer
- qualificação de 20 áreas verdes existentes
- 1 nova transposição da BR-282
- requalificação de 7 travessias já existentes
O plano ainda prevê intervenções em pontos de ônibus, edifícios públicos e trechos de orla. A ideia é ampliar sombra, conforto térmico e circulação de pedestres e ciclistas.

Números centrais e impacto esperado
Entre os indicadores mais ambiciosos, a Prefeitura estima redução média de 1,3°C na área do projeto e de 2,5°C nos corredores verdes planejados.
O dossiê também fala em benefício direto para mais de 23 mil moradores. A meta inclui enfrentamento de alagamentos, melhora da qualidade da água e ganho de biodiversidade urbana.
Na prática, o pacote inclui soluções de drenagem e paisagismo. Estão listados 81 parklets verdes, um wetland de 5 mil metros quadrados, jardins filtrantes e jardins de chuva.
- 1 ecoponto previsto
- 1 pátio de compostagem comunitária
- 248 jardins de chuva
- 13 edifícios públicos com intervenções climáticas
- 31 pontos de ônibus adaptados
O contexto ajuda a explicar a aposta. A Prefeitura afirma, no Plano Municipal de Arborização Urbana em elaboração, que Florianópolis tem cerca de 60% do território com cobertura vegetal, mas só 47,14% das vias urbanizadas arborizadas.
Próximas etapas e desafios para sair do papel
O projeto ainda não significa obra imediata. O próprio documento informa que o avanço depende de estudos executivos, governança, licenciamento, financiamento e contratação futura.
A cronologia oficial apresentada pela gestão municipal aponta as seguintes fases:
- conclusão dos estudos e projetos executivos
- estruturação da governança
- licenciamento ambiental e urbano
- captação de recursos
- execução e monitoramento
Esse ponto é decisivo porque a proposta mistura urbanismo, clima, drenagem e mobilidade. Sem orçamento definido e cronograma fechado, o anúncio ainda tem caráter programático, embora traga metas e mapas detalhados.
Ao publicar o material nesta semana, Florianópolis sinaliza que quer transformar adaptação climática em política territorial concreta. O avanço real será medido pela capacidade de converter o projeto em obra, tema que já pressiona cidades brasileiras e ganhou prioridade no programa federal Cidades Verdes Resilientes.
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