Florianópolis revela projeto de rede verde para Coqueiros e Estreito

Publicado por Marcelo Neves em 1 de junho de 2026 às 22:49. Atualizado em 1 de junho de 2026 às 22:50.

A Prefeitura de Florianópolis abriu um novo flanco de planejamento urbano ao detalhar uma rede verde para Coqueiros e Estreito, na região continental da capital, com foco em calor, drenagem e mobilidade.

O projeto foi publicado na plataforma oficial de planejamento urbano e prevê intervenções estruturais em uma área de aproximadamente 399 hectares, uma das mais adensadas da cidade.

A proposta marca um avanço distinto das ações recentes já anunciadas pela prefeitura e concentra esforços em adaptação climática, requalificação viária e recuperação ambiental no eixo continental.

Projeto mira calor urbano, alagamentos e travessias inseguras

Segundo o material técnico municipal, a área entre Coqueiros e Estreito sofre com ilhas de calor, baixa cobertura arbórea, poluição hídrica e alagamentos recorrentes.

O plano também mira barreiras à circulação de pedestres e ciclistas, sobretudo no entorno da BR-282 e da Avenida Governador Ivo Silveira.

A prefeitura informou que a proposta foi selecionada pelo programa acelerador de soluções climáticas liderado pelo WRI Brasil, com apoio da Google.org.

Na prática, o desenho urbano combina infraestrutura verde, drenagem e espaços públicos para reduzir impactos ambientais e ampliar conforto térmico.

  • Criação de corredores arborizados
  • Requalificação de áreas de lazer
  • Melhoria de travessias urbanas
  • Soluções para retenção e filtragem da água
Florianópolis apresenta melhorias urbanas com o novo projeto de rede verde
Foto: Divulgação / Tratada com IA

Números do plano mostram escala da intervenção

O documento oficial prevê 16 corredores verdes com 24,9 quilômetros de vias qualificadas, conectando equipamentos públicos, áreas sociais e espaços livres.

Também estão previstas 13 novas áreas verdes de lazer e a qualificação de outras 20 já existentes, ampliando a rede ambiental da porção continental.

Outro eixo sensível é a travessia urbana. O plano inclui uma nova transposição da BR-282 e melhorias em sete passagens já existentes.

Na drenagem, a proposta reúne wetland, jardins filtrantes, bacias de retenção e centenas de jardins de chuva para enfrentar pontos de alagamento.

  • 81 parklets verdes ao longo das vias
  • 19,6 hectares de sistema viário arborizado
  • 13 edifícios públicos com intervenções climáticas
  • 31 pontos de ônibus adaptados

Impacto esperado atinge moradores e rotina da região

De acordo com a prefeitura, a expectativa é reduzir a temperatura média da área em 1,3°C e em até 2,5°C nos corredores verdes.

O impacto direto estimado alcança mais de 23 mil moradores, com reflexos esperados também sobre a mobilidade e a dinâmica econômica local.

Em outra frente recente de reorganização territorial, o município consolidou por decreto a delimitação oficial dos bairros de Florianópolis, reforçando a base técnica para intervenções urbanas.

Nessa divisão, Coqueiros e Estreito aparecem entre os núcleos mais relevantes da região continental, onde densidade populacional e pressão urbana exigem respostas de longo prazo.

Próximas etapas dependem de projetos executivos e recursos

O cronograma ainda não fixa início de obras. Antes disso, o município terá de concluir estudos, licenciamento, governança e captação de recursos.

A proposta surge poucos dias depois de a gestão municipal publicar 71 portarias para reforçar a rede de ensino da capital, sinalizando uma agenda administrativa espalhada por diferentes áreas.

No caso do corredor verde continental, porém, o peso político e urbano é maior: trata-se de uma intervenção com ambição estrutural e efeitos que podem durar décadas.

Se sair do papel, o projeto poderá reposicionar a região continental de Florianópolis como laboratório local de adaptação climática, mobilidade ativa e desenho urbano mais resiliente.

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