O Ibama desativou um criadouro de animais silvestres para comercialização em Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina, e resgatou 26 macacos-prego em uma operação realizada nesta semana. O estabelecimento funcionava desde 2013 sob autorização judicial que permitia a atividade e era o último estabelecimento do tipo em funcionamento no país. A ação contou com apoio da Polícia Rodoviária Federal e do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA-SC), que auxiliaram no cumprimento da medida.
As equipes do Ibama identificaram que os animais eram mantidos em condições inadequadas para o bem-estar, como recintos de pequenas dimensões, com restrição de mobilidade. Segundo relatório técnico do órgão, os primatas apresentaram sinais compatíveis com estresse, desnutrição e alterações comportamentais. Isso, de acordo com o Instituto, tem relação direta com a forma que os animais eram tratados.
O manejo incluía o uso de jatos d’água com pressão como forma de contenção, prática apontada pelo Ibama como inadequada e associada ao desenvolvimento de medo e à redução de interações sociais típicas da espécie. Outro relatório sobre o local indica que filhotes eram separados de forma precoce das mães, com o intuito de acelerar o processo reprodutivo e ampliar a produção. Os 26 macacos-prego resgatados nesta fase foram encaminhados para uma instituição especializada em reabilitação de fauna silvestre em outro estado. No local, os animais passam por acompanhamento técnico e adaptação a recintos com condições naturais, com foco na recuperação de comportamentos típicos da espécie.
O criadouro tinha como finalidade a reprodução e a comercialização de primatas, com registro de aproximadamente 240 animais vendidos entre 2013 e 2024. De acordo com as informações da operação, alguns exemplares foram comercializados por valores superiores a R$100 mil.
Em 2025, o Ibama já havia transferido 167 animais, entre aves e primatas, para Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) em Brasília, Lorena e Porto Alegre, em ações de reorganização do plantel.
O superintendente do Ibama em Santa Catarina, Paulo Maués, afirmou que o fechamento representa avanço na proteção de espécies do gênero Sapajus, que inclui primatas ameaçados de extinção no país. “A etapa final da operação ocorreu após autorização judicial. A medida foi necessária devido à resistência do responsável pelo criadouro durante a ação.”, destacou.


