Decisões que surgem de maneira abrupta, como a recente proibição da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Florianópolis de acesso à Ilha do Campeche durante a safra da tainha, têm causado estranhamento. A ilha, que conviveu pacificamente com a pesca artesanal e o turismo ao longo dos anos, agora se vê isolada por uma determinação que, até agora, carece de fundamentação técnica. O único momento em que a ilha ficou fechada foi durante a pandemia do Covid-19, por razões sanitárias.
A Secretaria justifica que a medida ocorreu por determinação do Ministério Público Federal (MPF), porém o documento que consultamos menciona uma recomendação, e não uma exigência. O secretário do Meio Ambiente, Alexandre Waltrick, afirmou que apenas o desembarque na ilha foi banido, garantindo que as entidades que atuam na preservação da área não estão impedidas de trabalhar ali.
A proteção da safra da tainha, que é um patrimônio cultural e econômico, é importante, mas a falta de dados que comprovem a necessidade da proibição gera muita dúvida. O que temos até agora é uma alegação não comprovada de que o tráfego de embarcações prejudica a pesca local.
Enquanto isso, a Marinha do Brasil é a responsável pela regulação da navegação. Portanto, se as embarcações podem circular, por que o acesso à ilha deve ser restrito? É uma questão que muitos se perguntam, especialmente quando há vozes, como as dos pescadores da Barra da Lagoa, que negam qualquer interferência do transporte de passageiros na pesca da tainha.
A Ilha do Campeche, embora agora seja classificada como unidade de conservação, representa a história e a subsistência de diversas comunidades locais. Transformá-la em uma área de acesso restrito, sem consultas ou evidências científicas que sustentem essa necessidade, é arriscado e pode quebrar um delicado equilíbrio construído ao longo do tempo. A gestão da coletividade requer responsabilidade e atenção às vozes que sempre existiram.


