Florianópolis: Mortandade de peixes no Itacorubi gera crise ambiental

Publicado por Marcelo Neves em 4 de maio de 2026 às 08:50. Atualizado em 4 de maio de 2026 às 08:50.

Uma mortandade de peixes no Manguezal do Itacorubi recolocou a qualidade da água no centro do debate ambiental em Florianópolis. O episódio foi registrado em 22 de abril e ainda produz desdobramentos técnicos.

Relatórios divulgados nos últimos dias por órgãos e pesquisadores apontam causas convergentes, mas com ênfases diferentes. O ponto comum é a queda crítica de oxigênio na água.

Enquanto o IMA fala em floração de microalgas e hipóxia, uma nota da UFSC relaciona o quadro à poluição crônica por esgoto doméstico não tratado na bacia.

O que apontam os laudos preliminares sobre o caso

O IMA informou que a mortandade de manjubinhas foi registrada em 22 de abril no Manguezal do Itacorubi e que equipes fizeram vistoria em campo e coleta de amostras ambientais.

Segundo o instituto estadual, as análises físico-químicas ainda estavam em conclusão quando a nota foi publicada, em 24 de abril. Mesmo assim, a avaliação preliminar já indicava semelhança com o evento de março de 2024.

Na leitura técnica do órgão, microalgas da família Karenaceae teriam sido empurradas para canais com menor circulação. Nessas áreas, o consumo de oxigênio aumenta e cria um ambiente crítico para a fauna.

O IMA afirmou ter encontrado pontos com oxigênio dissolvido próximo de zero. Essa condição, chamada de hipóxia, é suficiente para provocar morte em massa de espécies sensíveis.

  • Data do registro: 22 de abril de 2026
  • Área afetada: Manguezal do Itacorubi
  • Espécie mais citada: manjubinhas
  • Hipótese central: falta de oxigênio na água
Cenas da crise ambiental em Florianópolis com peixes à beira do Itacorubi
Foto: Divulgação / Tratada com IA

Por que a UFSC diverge no foco da explicação

Pesquisadores do programa Ecoando Sustentabilidade, da universidade federal, publicaram análise com outra ênfase. Para o grupo, o evento tem relação direta com a carga histórica de esgoto lançada na bacia.

De acordo com a nota técnica divulgada pela UFSC em 24 de abril, a mortandade foi causada principalmente por asfixia em “zonas mortas”, com oxigênio dissolvido muitas vezes abaixo de 2 mg/L.

A universidade sustenta que o excesso de matéria orgânica favorece decomposição bacteriana intensa e acelera o consumo de oxigênio. O quadro, segundo os pesquisadores, foi agravado por calor anômalo e pouca chuva.

O texto também menciona possíveis falhas no sistema de saneamento e sugere que substâncias tóxicas do escoamento urbano podem ter influenciado o evento, embora esse ponto ainda dependa de aprofundamento analítico.

  • Hipótese da UFSC: poluição crônica por esgoto
  • Mecanismo descrito: decomposição bacteriana e anoxia
  • Agravantes citados: calor, estiagem e saneamento insuficiente

O que muda para Florianópolis após o episódio

O caso amplia a pressão sobre a prefeitura, órgãos ambientais e concessionárias para respostas rápidas. O Manguezal do Itacorubi é uma área sensível e cercada por intensa urbanização.

Além do dano ecológico imediato, o episódio expõe um problema estrutural: eventos agudos podem surgir quando fatores naturais e passivos urbanos se sobrepõem. Isso dificulta tratar a mortandade como fato isolado.

A própria recomendação técnica dos órgãos aponta urgência em remover peixes mortos, intensificar fiscalização e ampliar o monitoramento contínuo. Sem isso, novos episódios podem ocorrer em momentos de baixa circulação hídrica.

O histórico recente reforça o alerta. A ressaca prevista pela Epagri/Ciram até 4 de maio na faixa entre o Sul do estado e a Grande Florianópolis mostrou como o litoral entrou maio sob condições ambientais instáveis.

Próximos passos e pontos que ainda precisam de resposta

O IMA informou que prepara um relatório técnico mais abrangente. O documento deve reunir análises ambientais detalhadas, imagens de satélite e dados complementares de monitoramento.

A previsão divulgada pelo órgão foi concluir o relatório final em até 20 dias após a nota inicial. Isso pode consolidar se a floração de microalgas foi causa principal ou agravante do episódio.

No plano político e administrativo, a questão central será definir responsabilidades. Se a hipótese de esgoto crônico ganhar força, a cobrança por obras e fiscalização tende a aumentar.

  1. Confirmar a composição das microalgas encontradas
  2. Medir a extensão da perda de fauna no manguezal
  3. Verificar fontes de esgoto e falhas operacionais na bacia
  4. Definir ações permanentes de prevenção

Para Florianópolis, o episódio do Itacorubi já deixou uma conclusão incontornável: a vulnerabilidade ambiental da cidade não está apenas no mar aberto, mas também nos seus canais, rios e manguezais urbanos.

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