A temporada da tainha abriu um novo embate em Florianópolis. Desde quinta-feira, 1º de maio de 2026, está suspenso o transporte aquaviário de passageiros para a Ilha do Campeche.
A medida vale até 10 de julho e foi adotada pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente para proteger a pesca artesanal, patrimônio cultural da capital catarinense.
O bloqueio atinge passeios turísticos, embarcações recreativas e serviços individuais ou coletivos. A exceção fica para fiscalização, resgate, pesquisa autorizada e barcos de pescadores credenciados.
O que a portaria determina para a Ilha do Campeche
A portaria municipal prevê a interrupção de qualquer serviço de transporte aquaviário com origem, trânsito ou destino à ilha durante o pico da safra.
Segundo o texto oficial, a suspensão vai de 1º de maio a 10 de julho de 2026 e abrange operações comerciais, turísticas, esportivas e de recreio.
A norma argumenta que ondas, ruídos e movimentação intensa na água afugentam os cardumes e afetam diretamente o arrasto de praia.
O município também afirma que a decisão busca conciliar conservação ambiental, proteção do patrimônio cultural e sustento de famílias ligadas à atividade pesqueira.
- Transporte turístico fica interrompido no período.
- Passeios recreativos também entram na proibição.
- Fiscalização e salvamento seguem autorizados.
- Pesquisa científica depende de autorização prévia.
Por que a safra de 2026 elevou a tensão no litoral catarinense
A discussão ocorre num ano de regras federais renovadas para a tainha. O governo aumentou em cerca de 20% a cota total de captura para 2026.
De acordo com o Ministério da Pesca, o limite total chegou a 8.168 toneladas nas regiões Sudeste e Sul.
Para o arrasto de praia, modalidade central em Florianópolis, a cota definida foi de 1.332 toneladas no mar territorial adjacente a Santa Catarina.
Já o emalhe anilhado ficou com 1.094 toneladas, enquanto o cerco ou traineira recebeu 720 toneladas. O emalhe costeiro de superfície terá 2.070 toneladas.
- Arrasto de praia: 1.332 toneladas.
- Emalhe anilhado: 1.094 toneladas.
- Cerco ou traineira: 720 toneladas.
- Emalhe costeiro de superfície: 2.070 toneladas.
Impacto imediato para turismo, barqueiros e pescadores
A interrupção da travessia muda a rotina de operadores de turismo náutico no início de maio, período em que a procura pela ilha costuma crescer.
Ao mesmo tempo, reforça a prioridade dada à pesca artesanal, atividade que tem peso econômico e simbólico nas praias do sul e do leste da ilha.
Na prática, a prefeitura escolheu reduzir o conflito entre usos do mar. O objetivo é garantir mais tranquilidade nas áreas onde os vigias observam a aproximação dos cardumes.
Para os pescadores, a leitura é simples: menos interferência no mar pode significar maior chance de sucesso numa safra decisiva para a renda anual.
Quem pode acessar a área durante a restrição
Nem todo tráfego marítimo foi vetado. A portaria preserva operações consideradas essenciais ou ligadas à própria atividade pesqueira.
- Barcos de pescadores artesanais credenciados.
- Embarcações de fiscalização ambiental e de segurança.
- Operações de salvamento e resgate.
- Pesquisas científicas com autorização dos órgãos competentes.
O cenário político e regulatório da safra ainda está em aberto
O debate não termina na restrição ao Campeche. Em Santa Catarina, o governo estadual mantém críticas às cotas federais, especialmente sobre modalidades que atuam no litoral catarinense.
A Secretaria Executiva da Aquicultura e Pesca afirma que o Estado estuda nova reação judicial às restrições impostas para 2026.
Esse ambiente amplia a pressão sobre Florianópolis. A cidade entra na safra tentando proteger sua tradição pesqueira enquanto administra perdas temporárias no turismo embarcado.
Até 10 de julho, a Ilha do Campeche deixa de ser apenas cartão-postal. Ela vira o centro de uma disputa concreta entre economia turística, regulação ambiental e cultura tradicional.
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