
Este é o mês da campanha Março Amarelo, dedicada à conscientização sobre a endometriose, doença ginecológica que afeta milhões de mulheres e que ainda costuma levar anos para ser diagnosticada. Nesse contexto, os exames de imagem têm papel fundamental para identificar a condição e orientar o tratamento de forma mais precisa.
De acordo com a médica radiologista Grasiele Geraldini Marques, do Grupo Baía Sul , os métodos de imagem são ferramentas importantes principalmente na investigação das formas mais profundas da doença. “Eles permitem não apenas sugerir o diagnóstico, mas também mapear a extensão das lesões e os órgãos potencialmente comprometidos”, explica.
Segundo a especialista, a investigação por imagem geralmente é indicada quando há suspeita clínica baseada nos sintomas relatados pela paciente. Entre os principais sinais de alerta estão cólicas menstruais intensas, dor pélvica crônica, dor durante as relações sexuais, alterações intestinais ou urinárias associadas ao período menstrual e infertilidade.
MÉTODOS COMPLEMENTARES
Atualmente, dois exames são considerados os principais aliados no diagnóstico da endometriose: o ultrassom transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética da pelve.
O ultrassom transvaginal, quando realizado por profissionais experientes, é considerado exame de primeira linha e pode identificar cistos ovarianos relacionados à doença, lesões profundas e aderências pélvicas, além de comprometimento de estruturas como ligamentos uterinos, intestino, bexiga e ureter.
Já a ressonância magnética oferece uma avaliação mais ampla da pelve, sendo especialmente útil para o mapeamento da doença e para o detalhamento de lesões mais extensas. “Na maioria dos casos, os dois métodos são complementares e, quando utilizados em conjunto, aumentam a precisão e a especificidade do diagnóstico”, afirma a radiologista.
Com o avanço das tecnologias e de protocolos específicos, os exames atuais também permitem identificar diferentes localizações da endometriose. Hoje é possível detectar comprometimento ovariano, infiltração em ligamentos pélvicos, septo retovaginal, intestino, bexiga e outras estruturas da pelve. Em alguns casos, a doença pode atingir locais menos comuns, como o diafragma, o intestino delgado e a parede abdominal.
IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO PRECOCE
O mapeamento detalhado da doença tem impacto direto na definição do tratamento. Quando identificada precocemente, a endometriose pode ser manejada com acompanhamento especializado e tratamento clínico, o que ajuda a controlar sintomas e reduzir a progressão da doença.
“Além disso, quando há indicação de cirurgia, os exames de imagem permitem um planejamento mais preciso do procedimento. O conhecimento prévio da extensão das lesões contribui para reduzir riscos e melhorar os resultados do tratamento”, destaca a médica.
Apesar dos avanços, algumas formas da doença ainda podem passar despercebidas. Lesões muito pequenas ou superficiais, por exemplo, nem sempre são detectadas pelos métodos atuais. Por isso, o diagnóstico deve sempre considerar a avaliação clínica, o exame físico e os exames de imagem especializados.
Grasiele reforça, ainda, que sintomas intensos não devem ser ignorados. “Dor menstrual incapacitante não deve ser considerada normal. A avaliação precoce por profissionais capacitados pode reduzir o tempo até o diagnóstico e permitir um manejo mais adequado da doença”, conclui a especialista.
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