Jurerê: Polícia Civil desmantela tráfico internacional em abril

Publicado por Marcelo Neves em 6 de maio de 2026 às 21:49. Atualizado em 6 de maio de 2026 às 21:50.

A Polícia Civil de Santa Catarina desmantelou um esquema de tráfico internacional que operava a partir de uma mansão em Jurerê Internacional, em Florianópolis. A ação ocorreu entre 9 e 10 de abril.

Segundo a investigação, o imóvel de alto padrão escondia um laboratório clandestino de processamento e refino de cocaína. O principal alvo foi preso e apontado como um homem de origem russa.

O caso coloca Jurerê no centro de uma apuração policial de alcance internacional. A ofensiva também começou após a prisão de uma “mula humana” no aeroporto da capital catarinense.

Operação Moscou levou polícia até mansão em Jurerê Internacional

A Operação Moscou foi deflagrada pela Delegacia de Repressão às Drogas da DEIC e mobilizou equipes especializadas entre a tarde de 9 de abril e a noite de 10 de abril.

De acordo com a corporação, o grupo atuava no tráfico internacional de drogas. O nome da operação faz referência ao possível destino final de parte da rota investigada.

O líder da organização, segundo a Polícia Civil, morava em uma mansão de luxo em Jurerê Internacional. O endereço funcionaria como fachada para as atividades criminosas.

A escolha do bairro, ainda segundo os investigadores, não foi aleatória. A movimentação intensa de moradores, trabalhadores e veículos ajudaria a reduzir suspeitas sobre a rotina do imóvel.

  • Operação ocorreu entre 9 e 10 de abril de 2026
  • Ação foi conduzida pela DRD, ligada à DEIC
  • Alvo principal foi preso em Florianópolis
  • Base do grupo ficava em Jurerê Internacional
Polícia Civil mostra resultados de combate ao tráfico em Jurerê
Foto: Divulgação / Notícias Floripa

O que foi apreendido no imóvel de alto padrão

Durante o mandado de busca e apreensão, os policiais encontraram um laboratório descrito como completo para processamento e refino de cocaína.

Entre os itens apreendidos estavam ácidos sulfúrico e clorídrico, além de centrífuga, provetas, béqueres e folhas de coca. A polícia também relatou a presença de cocaína já processada.

Os agentes recolheram ainda valores em espécie em real, dólar e euro. O montante informado pela investigação chega a quase R$ 200 mil.

Outro bem retido foi um veículo avaliado em aproximadamente R$ 150 mil. O conjunto do material reforçou a suspeita de uma operação estruturada e com divisão de tarefas.

  • Produtos químicos controlados
  • Equipamentos laboratoriais sofisticados
  • Folhas de coca e droga já processada
  • Dinheiro em diferentes moedas
  • Veículo de alto valor

Prisões no aeroporto ajudaram a revelar a rota investigada

A apuração começou depois de uma denúncia anônima. Ela levou à prisão de um homem flagrado no Aeroporto Internacional Hercílio Luz, em Florianópolis.

Segundo a Polícia Civil, ele tentava embarcar para São Paulo transportando droga escondida no corpo. A suspeita é que o entorpecente seguiria depois para Moscou, na Rússia.

O terminal catarinense já vinha sendo monitorado por forças de segurança em outras frentes. Em março, por exemplo, a Polícia Federal prendeu uma passageira com cerca de 10 quilos de haxixe no aeroporto de Florianópolis.

No caso ligado a Jurerê, o suspeito detido no aeroporto teve a prisão convertida em preventiva. Para os investigadores, essa etapa foi decisiva para chegar ao imóvel de luxo.

  1. Denúncia anônima acionou a apuração
  2. Suspeito foi preso no aeroporto
  3. Polícia identificou elo com o grupo
  4. Mandado levou equipes até a mansão
  5. Laboratório clandestino foi desmontado

Como funcionava o esquema, segundo a investigação

A Polícia Civil descreve uma rede com atuação internacional e tarefas bem definidas. O modelo incluía produção da droga, recrutamento de transportadores e envio ao exterior.

Esse desenho operacional, de acordo com o órgão, indica uma estrutura profissionalizada. O laboratório em Jurerê seria apenas uma das pontas de um circuito maior.

A ofensiva contou com apoio de outras unidades, como a Delegacia de Roubos e Antissequestro, o Núcleo de Inteligência e o Núcleo de Operações com Cães.

Segundo a corporação, cães farejadores ajudaram a localizar os entorpecentes escondidos. O preso foi encaminhado à DEIC e permaneceu à disposição da Justiça.

Em desdobramento posterior do caso, veículos de imprensa relataram a prisão de um suspeito de aliciar transportadores para a quadrilha. A cobertura apontou que o homem faria a ponte entre o líder do grupo e as chamadas “mulas humanas”, ampliando o alcance da investigação em Santa Catarina.

Impacto do caso para Jurerê e para a segurança em Florianópolis

O episódio rompe a imagem exclusivamente turística e imobiliária associada a Jurerê Internacional. A investigação mostra como áreas valorizadas também podem ser usadas como escudo para crimes complexos.

No entendimento policial, imóveis de alto padrão podem oferecer discrição, circulação constante e menor percepção de risco por parte da vizinhança.

Para Florianópolis, o caso reacende o debate sobre fiscalização em rotas aéreas e sobre a atuação de organizações que misturam luxo, logística e tráfico internacional.

Também expõe a importância da integração entre inteligência, repressão qualificada e denúncias. Sem a informação inicial e o trabalho no aeroporto, a operação talvez não chegasse ao laboratório.

Jurerê, desta vez, aparece no noticiário por um motivo distante do turismo e do mercado imobiliário. O bairro virou peça central de uma investigação que ligou uma mansão de luxo a uma rota internacional de cocaína.

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