
O preá-de-Moleques-do-Sul vive exclusivamente em uma ilha do Arquipélago de Moleques do Sul, a cerca de 8 km da costa sul de Florianópolis. A espécie tem a menor distribuição geográfica conhecida entre mamíferos e é considerada um animal raro em Santa Catarina, sem registros em qualquer outro ponto do planeta.
O território insular tem pouco mais de 10 hectares, mas a ocupação do roedor se concentra em aproximadamente 4 hectares. A população é descrita como extremamente reduzida, estimada entre 40 e 60 indivíduos, com variação conforme as condições do habitat.
O que este artigo aborda:
- População pequena e status de extinção em nível crítico
- Plano de conservação e fiscalização no arquipélago
População pequena e status de extinção em nível crítico
Classificado como criticamente ameaçado de extinção nos níveis global, nacional e estadual, o preá-de-Moleques-do-Sul aparece entre os 20 pequenos mamíferos mais ameaçados do mundo. O Ministério do Meio Ambiente aponta a espécie como criticamente em perigo, e não há predadores naturais conhecidos para a população da ilha.
O animal é um roedor herbívoro aparentado à capivara e ao porquinho-da-índia. A expectativa de vida média fica entre dois e quatro anos, segundo o IMA-SC (Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina).
A presença do preá está ligada a um isolamento geológico ocorrido há cerca de 8 mil anos, após a elevação do nível do mar no fim da última Era Glacial. Com a separação do arquipélago do continente, uma população de preás ficou isolada e, ao longo de milhares de anos, passou por diferenciação até resultar em uma espécie distinta.
A confirmação científica do animal ocorreu nos anos 1980, após a descoberta de uma ossada durante pesquisas ambientais do IMA-SC na região. Na época, o órgão era denominado Fatma (Fundação do Meio Ambiente do Estado de Santa Catarina).
Em 1999, a espécie foi oficialmente descrita pela ciência como Cavia intermedia, em referência a características consideradas intermediárias dentro do gênero Cavia. O registro formal consolidou o preá-de-Moleques-do-Sul como espécie endêmica, restrita ao Arquipélago de Moleques do Sul.
A descrição reforçou a singularidade do grupo e elevou a pressão por proteção continuada, já que a ocorrência se limita a um único fragmento de habitat.
O Arquipélago de Moleques do Sul integra o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, maior unidade de conservação de Santa Catarina. A área é classificada como zona intangível, com presença humana proibida; o desembarque é permitido apenas para pesquisadores autorizados e órgãos ambientais.
O controle existe porque qualquer introdução externa pode comprometer uma população tão pequena. Doenças, parasitas, plantas invasoras e incêndios são listados como riscos capazes de eliminar a espécie, que não dispõe de outra área de refúgio.
Plano de conservação e fiscalização no arquipélago
Para reforçar a preservação, foi estruturado o Plano de Ação Estadual para a Conservação do Preá-de-Moleques-do-Sul, elaborado a partir de 2018 pelo Instituto Tabuleiro, em parceria com o IMA-SC e apoio da Fundação Grupo Boticário. A proteção da área inclui fiscalização do IMA, da Polícia Militar Ambiental e da Marinha do Brasil.